
Do “Meu cinicário” – Chamando de “burro” e “estúpido” quem não pensa do seu jeito, você acredita que vai ensinar algo? Na boa, quem é o burro e estúpido?
DEMISSÃO
Ser demitido dum emprego é terror na vida de qualquer trabalhador. A demissão cria a ideia de inutilidade para aquela comunidade da qual se está sendo afastado. As razões podem ser muitas, mas, na mente de quem perde o emprego, fica patente uma ideia: “você não serve para nós”. A sensação de estar sobrando machuca muito. É mais ou menos como ver seus amigos convidados para uma festa e você não. Dói muito ser excluído!
Existem muitas maneiras de demissão. A mais escancarada, é a própria. O funcionário recebe um aviso, chamado “prévio”, na inocente certeza da lei de que aquele dispensado vai continuar cumprindo suas obrigações até a data limite sem nenhum rancor. Crença estúpida. As empresas, geralmente, pagam o período legal para impedir qualquer retaliação por parte do demitido. “Fique longe de nós” é o recado subliminar. Outro dos tipos, embora menos traumático, mas ainda doloroso, é a não renovação de um contrato de trabalho, já chegado ao fim. E as justificativas públicas, como declarações e cartas elogiosas de agradecimento pelos serviços prestados, só servem para lançar mais combustível à fogueira da decepção. Sem esquecer a reprovação escolar, uma variante de eliminação do grupo.
Já passei por todas essas situações citadas! Posso confirmar: nenhuma delas é a melhor coisa do mundo. Claro, a gente engole em seco (nem sempre com facilidade) e leva a vida adiante. Porém existe a situação reversa: nós nos demitimos e vamos procurar a nossa turma em outras bandas, buscando melhores condições de trabalho. Salvo na reprovação escolar. Essa, lamentavelmente, ficará impregnada no nosso currículo.
Cortar empregados, apesar desses pesares, é uma coisa normal na vida econômica. Porém, quando o corte atinge uma grande empresa ou um determinado setor, passa do drama pessoal para a preocupação geral. Tal situação é noticiada, às vezes com alarde, pois tende a significar má gestão, passando da incompetência à desonestidade. Ou seja, “muitos demitidos” talvez indique fraude. E jornais, rádios e televisões, ciosos do seu papel vigilante, insistem e exploram a matéria sob todos os ângulos, no afã de expor os incompetentes ou os desonestos.
Ainda bem que somos protegidos por cidadãos dessa qualidade, zelando pela nossa tranquilidade social. Entretanto, resta um quiproquó: jamais vemos um grande veículo de comunicação noticiando seus próprios problemas nessa área. Parece duplamente desonesto, não é?
Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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