
Uma reflexão para quem tem estabelecimento
O programa Fantástico da TV Globo, certa vez tinha um quadro em que o chefe se passava por funcionário da empresa, para avaliar como os colaboradores trabalhavam e como era aquela realidade. Dificuldades antes não imaginadas, passavam a ser percebidas. Digo isso para chegar ao ponto que quero trazer para reflexão nesse mês: Os donos de estabelecimentos comerciais se preocupam de verdade com os clientes?
De bate pronto a resposta vai ser sim. Em grande parte, atendem bem e possuem um bom produto.
Mas isso é suficiente? Será que eles conseguem dimensionar o quanto uma estrutura inacessível pode causar de reflexos para quem a usufruí?
Vivemos dentro de uma caixa, na qual temos dificuldade de avaliar o todo. No desespero de obter o lucro financeiro e a satisfação pessoal, não nos preocupamos de verdade com os outros. O cliente é um “número”, se a maioria está satisfeita, a minoria que se adapte.
A lei diz que um empreendimento necessita ter rampas de acesso e banheiros adaptados (porta larga), vários não possuem. Alguém fiscaliza?
Em Taquara nunca vi.
No que diz respeito a ausência de rampas, geralmente pessoas boas se solidarizam com quem necessita de auxílio, ajudando a subir os degraus. E quem anda de cadeira de rodas e ela não entra no banheiro? Faz na calça?
Desce no chão e se arrasta no “mijo” até o vaso? Ou se segura até ter dor na bexiga e perder todo o sentido de qualquer coisa que esteja fazendo ou carregando?
Quem nunca passou por isso e só pensa em si, lamenta e diz que vai estudar adaptações, ESTUDAR. Ou se omite e finge não ser consigo.
Enquanto quem se coloca no lugar do outro, jamais abre um negócio ou recebe uma pessoa, sem que ela tenha condições dignas de ser recebida.
Meu lema de vida é sempre resolver tudo na conversa, truculência e falta de diálogo não é a solução, mas lei é lei.
Não tem explicação em 2020 o ser humano ser privado de ir a um banheiro. E não é caro fazer esses pequenos ajustes.
O que falta é vontade, “vergonha na cara”. Por isso que eu peço para quem estiver me lendo e por ventura tiver um estabelecimento comercial, dá uma analisada como está a acessibilidade dele.
Mas põe como prioridade, tá?
E quem for cliente que não precisa dessas adaptações, peço que fiscalize e faça o papel que as autoridades fecham os olhos. O bolso faz sentir.
Desejo de coração, que nunca nenhum proprietário de estabelecimento inacessível, necessite de acessibilidade.
Por Cassiano Gottlieb, de Taquara
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