
Banalizaram as eleições
Enquanto eu escrevo esse texto, as cidades estão em intensa agitação, nada é mais assunto que a escolha do novo prefeito e dos vereadores. Por regra, não deveria estar errado. Definir quem vai te representar no executivo e legislativo, é de uma responsabilidade enorme, afinal, eles serão a sua voz. Entretanto, o que deveria trazer um sentimento de orgulho para o cidadão, virou um fardo, uma mistura de revolta e desilusão.
As causas são diversas. Vai desde a um ano em que se restringiu tudo devido ao Covid, até se esquecer da doença durante a campanha. Passa pelas décadas de exemplos negativos de políticos. E termina com essa forma de fazer campanha arcaica e antipática.
O ano é 2020 e ainda se dá santinho. Além de poluir a cidade em uma época que tudo poderia ser digital, é frio, não passa sinceridade, transparência. O papel aceita tudo, depois não cumprir mesmo, né? Na política é assim. E a população já percebeu isso.
Bandeiras e carreatas. Quem vota por isso? Trancam as ruas, atrapalham o descanso das pessoas, são inconvenientes. Muitos participam. Seja por interesses futuros, pelo gosto da competição ou por realmente entenderem que isso interfere. Direito de cada um.
Como publicitário que sou, entendo que um Jingle bem feito faz a diferença. Não poderia ser assim.
Eleição não deveria ser conduzida com a emoção e sim com a razão. Não é partida de futebol, é coisa séria.
Até porque a participação direta das pessoas que votam, termina na urna. Depois disso, os eleitos e os perdedores não batem na sua casa, não levam apoiadores, não chegam com bandeira e música ao vivo.
Já parou para pensar nisso? O que eles querem de verdade? Trabalhar por vocês ou em causa própria e de suas famílias?
Nosso país formula quase tudo errado. Leis, distribuição de salários, conceitos éticos e morais.
Políticos e candidatos bons acabam entrando nesse balaio. Seria muito simples resolver isso. Corta os benefícios, dá apenas uma ajuda de custo aos eleitos, política não é profissão. Não deveria, né?
E proíbe esse formato de campanha. Coloca tudo digital. Porém, em um local que o cidadão decida conhecer as propostas dos candidatos. Não seja intransigente, não adicione ele em nada que não seja previamente permitido.
Isso vai mostrar quantos candidatos realmente estarão lá. O filtro que você precisa para decidir quem é o melhor.
Pena que é utopia. O mundo real nos obriga a exercer nosso voto. É a democracia obrigatória. Todos votam, os vencedores fazem festa como se tivessem ganho um título com seus clubes de futebol, criam novos amiguinhos que batem nas costas e a roda gira.
Vamos tentar ao menos refletir sobre isso. Quando vocês estiverem na urna, antes de digitar qualquer número que seja, pensa o motivo que está te fazendo dar aquele voto.
Acessibilidade não é só acesso. É abrir a mente também.
Por Cassiano Gottlieb, de Taquara
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