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Esta postagem foi publicada em 30 de novembro de 2020 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Outra vez, Maradona! Por Plínio Zíngano

Do “Meu cinicário” – Jamais serei deputado, senador, governador ou presidente. Além de não ser intransigente com nada – “eles” dizem que são – não uso gravata.

Outra vez, Maradona!

 Como todos os fãs de futebol devem saber, e até quem não é, morreu Maradona, um dos mais famosos praticantes desse esporte em todo o mundo. Eu faço parte da legião dos não aficionados e, mesmo assim, estou escrevendo, embora depreciativamente, sobre o atleta pela quarta vez nos quinze anos desta coluna. Entendo que muitos leitores, sabendo disto, concluirão por uma inveja mal contida, tal como pode pensar boa parte dos argentinos, cuja nacionalidade era a mesma do falecido.

            Nada mais longe dessa conclusão! Pelos filmes assistidos na televisão, só a teimosia me impediria de concordar com sua esmagadora legião de fãs. O sujeito sabia dominar a pelota. Mas isso não é o mais importante. Minha discordância em relação a el Pibe de Oro (se eu posso falar de uma diferença com ele) esteve fora das linhas limítrofes do gramado onde se desenrolam as disputas futebolísticas, o famoso “tapete verde”.

          A imprensa mundial sempre se desmanchou em elogios ao Dieguito e, agora,  nos lamentos póstumos, então, os admiradores extrapolaram um pouco. Mas alguns  conseguiram, apesar de sua grande admiração, colocar certos parâmetros na adoração. Alguém falou: “Maradona, em campo, era um deus; fora, era apenas humano”. E aqui, aproveitando essa definição, entro com total discordância! Meus leitores já devem ter percebido minha má vontade com adorações incontestes. É um tipo de sentimento que dá margem a atitudes hipócritas. Os adorados passam a se sentir acima das outras pessoas e partem para atitudes sempre mais ofensivas.

          Dom Diego não era um “deus” dentro do campo; enquanto a segunda parte da assertiva teve bastante fundamento na sua ironia: era demasiado “humano”. Custa-me crer que um “deus”, filosoficamente, fonte e garantia de todas as excelências morais, sequer pensasse usar sua “preciosa mão” naquele gol de 22 de junho de 1986, no Estádio Azteca, Cidade do México, num jogo entre Argentina e Inglaterra. O futebol, como todos os esportes e a própria vida em sociedade, tem regras que devem ser obedecidas. São as leis. Uma dessas regras é não encostar a mão na bola quando o jogo estiver em andamento, salvo o goleiro. Pois, está documentadíssimo, o humano Maradona intrometeu-se e criou um dos mais vexatórios incidentes do esporte. E a FIFA, irresponsável, nada fez! O simples fato de nunca ter sido anulada aquela vitória, para mim, desclassificou o futebol como digno de atenção.

             É, Maradona foi humano em demasia!

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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