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Esta postagem foi publicada em 1 de dezembro de 2020 e está arquivada em Caixa Postal 59.

O caminho da esperança para 2022, por Jefferson Müller

O caminho da esperança para 2022

Passado o período eleitoral, sobejam as análises acerca dos resultados emanados pelas urnas, em especial prognósticos capazes de lançar luzes sobre o cenário das eleições gerais de 2022. Aceito esse desafio, correndo, é claro, todos os riscos que essa atividade impõe, afinal, é impossível ter controle claro sobre as tantas variáveis que influenciam o processo eleitoral brasileiro. Mas, já que comecei, “alea jacta est”.

A minha primeira constatação é de um certo arrefecimento dos ânimos, que andavam demasiadamente exaltados desde 2018. A democracia por si só tem este efeito. Ela exige governança e negociação de ideias, isolando os extremos e trazendo a decisão para o centro. Em 2018 os eleitores foram às urnas com raiva, votaram contra “tudo isso daí”. Foi a eleição dos “haters” que consagrou aqueles que se apresentavam como “outsiders” (mesmo que não o fossem). Esse cenário definitivamente não se repetiu em 2020. Ou você ainda viu pessoas saindo pelas avenidas com camiseta da CBF cantando o hino nacional e entoando no megafone discursos de ódio, preconceito e apologia da ditadura?

Há, claramente, um cenário muito diferente em curso. A crise econômica mundial causada pela pandemia, bem como a recente derrota eleitoral de Trump nos EUA tornaram menos importantes as falas “anti”, afinal, para sair da crise é preciso muito mais ser a favor do que contra algo ou alguém. Em 2020, e penso que também em 2022, as pautas estarão mais na proposição do que na vedação, e isso deve ter consequências na organização da política e dos partidos. O antipetismo como panaceia para todos os males já não terá mais a força que teve, em que pese ainda ser relevante para alguns segmentos.

O fortalecimento do chamado “centrão” é uma realidade que, aliás, deverá culminar com a migração do próprio Bolsonaro para algum destes partidos, possivelmente PP, Republicanos ou PSD, na busca pela reeleição.

Há em curso uma fragmentação e reorganização do campo político da centro-esquerda, mais plural e sem a hegemonia de um único partido, bem como o forte ingresso de lideranças da negritude e da juventude neste campo político.  Ocorre, ainda, o fortalecimento de partidos ligados ao liberalismo (econômico e nos costumes), que parece se apartar do Bolsonarismo para 2022.

Como bem falei no início, sei dos riscos que uma análise política implica, todavia, na guerra velada entre a força centrípeta da democracia  e a força das “bolhas” estimuladas pelas redes sociais, que forçam apenas os iguais a se falarem, o debate democrático prevaleceu. Assim sendo, penso que 2022 exigirá pautas e respostas, programas e consequências. Cada vez ficará mais claro aos eleitores a existência de muitas “direitas”, “centros” e “esquerdas”. Os eleitores votaram com ódio em 2018; em 2020 votaram com moderação; em 2022 irão votar com esperança. Está é minha aposta e, talvez, o meu desejo.

Por Jefferson Müller – sociólogo
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