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Moradores reclamam de falta de médicos, remédios e de estrutura para atendimento no Centro Covid de Taquara

O secretário da Saúde de Taquara, Vanderlei Petry, respondeu aos questionamentos.
Centro de Apoio à Covid-19, em Taquara. Foto: Alan Júnior/Rádio Taquara

Após um longo período em que a região 06 – que abrange Taquara e municípios vizinhos – do mapa do distanciamento controlado, do Governo do Estado, se manteve na bandeira laranja (risco epidemiológico médio), há cerca de duas semanas a região entrou, novamente, em bandeira vermelha (risco epidemiológico alto). Isso se deve ao crescimento de casos de contaminação pelo novo coronavírus. Diante desse aumento, as pessoas que estão com os sintomas da doença buscam apoio na rede de saúde, especialmente em municípios que contam com um Centro de Apoio à Covid-19, o popular Centro Covid.

Nesta semana, taquarenses entraram em contato com a reportagem da Rádio Taquara, solicitando a divulgação e a busca por respostas para problemas que vêm sendo enfrentados no Centro Covid municipal. Conforme os ouvintes da rádio e leitores do site, Valmir Alves da Silva e Cléber Paz, a situação no local está insustentável, pois há apenas um médico para atender a grande demanda de pessoas e faltam remédios e acomodações no Centro, que fica na Avenida Sebastião Amoretti, nº 3060, junto ao prédio da base do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Em contato com a reportagem, Valmir, de 50 anos, que é morador do bairro Tucanos, relatou que esteve no Centro à procura de atendimento, nesta quarta-feira (2), e não conseguiu ser atendido, devido ao grande número de pessoas no local. Ele e toda sua família estão com os sintomas da doença. “Tinha cerca de 40 pessoas lá, esperando para serem atendidas, e só um médico e uma enfermeira. Hoje (3), voltei, tinha umas 30 pessoas e tive que esperar três horas para ser atendido. Estou com muita dor no corpo e dificuldade para respirar. Quando chegou minha vez, o médico já estava cansado, pois não havia sequer um ventilador para circular o ar na sala dele”, afirma.

Além disso, Valmir diz que um toldo que foi instalado no local não protege as pessoas das altas temperaturas, não há banheiro para os pacientes e, segundo ele, o médico prescreve os medicamentos para o tratamento inicial, mas os remédios estão em falta.

Já o ouvinte Cleber Paz relatou que está com sintomas desde a última sexta-feira (27) mas, decidiu procurar o Centro Covid apenas nesta quarta (2), quando os sintomas se agravaram. Segundo ele, ao chegar no local, por volta das 14h30min, havia muitas pessoas aguardando atendimento, debaixo de um toldo sob o sol. Cleber relata que ele e mais cinco pessoas acabaram sendo mandados para casa perto das 19h, sem receber atendimento.

Além do contato com a reportagem da Rádio Taquara, Cleber também fez uma postagem, em seu perfil do Facebook, criticando as instalações e afirma que conversou com o profissional que atendia no local. “Falei com o médico e ele disse que deveríamos ir à ouvidoria municipal para reclamar por mais médico e melhores condições de atendimento, visto que a unidade não conta com ventilação, ar-condicionado ou sequer um ventilador ligado”, escreveu em seu post. Ainda durante a conversa que teve com o médico, Cleber afirmou que o profissional relatou “estar atendendo desde às 7 horas ininterruptamente e que teria apenas cerca de nove minutos para cada paciente”.

Foto: Alan Júnior/Rádio Taquara

O que diz o secretário de Saúde

A reportagem da Rádio Taquara entrou em contato com o secretário municipal de Saúde de Taquara, Vanderlei Petry, indagando sobre os problemas apontados pelos ouvintes/leitores.

Falta de médicos

Em relação ao atendimento realizado por apenas um médico, Petry informou que, quando o Centro Covid foi inaugurado, a média de atendimentos era de cerca de 80 pessoas por dia e havia dois médicos no local, de segunda a sexta-feira e hoje os atendimentos acontecem todos os dias – de segunda a segunda – das 7h às 19h. Ainda conforme o secretário, há cerca de um mês, os atendimentos reduziram, passando para 20 pessoas diariamente sendo atendidas, momento em que o local passou a contar apenas com um profissional. “Porém, nesta semana, o número aumentou significativamente. O número aumentou muito, devido a uma ‘segunda onda’ preocupante e nós já solicitamos para a empresa terceirizada o segundo médico para o local. Então, a questão da demora acredito que estejamos resolvendo entre hoje e amanhã”, afirma Pertry.

Problemas na estrutura

Sobre a estrutura do Centro Covid, o secretário diz que tudo vem funcionando tranquilamente durante todos os meses, desde que ela foi inaugurada. “Eu acredito que se nós atendemos cinco mil pessoas nesses meses, uma reclamação eu vou entender, mas não vou compreender. Banheiro tem. A equipe que lá está muitas vezes fica sem almoçar o dia todo para atender a demanda. Pode não ter uma ventilação ideal, mas é a estrutura que se tem. Em comparação a outros municípios, onde o atendimento se dá em lonas, fico imaginando qual a qualidade de ar desses hospitais de campanha”, frisou o secretário.

Medicação

O secretário da Saúde concordou que existem algumas dificuldades em se tratando da falta de medicamentos. “O Tamiflu, por exemplo, estamos enfrentando a falta desse medicamento, devido atraso dos fornecedores e não por falta de recursos para aquisição. Hidroxicloroquina e cloroquina nós nunca fornecemos. Se um médico eventualmente prescreveu, a aquisição se dá na rede privada. Quanto aos medicamentos Azitromicina, Ivermectina, Prednisona, Loratadina, entre outros que compõem o chamado ‘Kit-Covid’, eles estão à disposição no Centro Covid e na Farmácia Básica do município, no Posto 24h”, destaca.

Ainda conforme Petry, no Centro Covid, os medicamentos haviam esgotado, devido ao aumento de demanda, mas nesta quinta-feira (3), já foram repostos. Segundo a enfermeira responsável pela entrega dos medicamentos, Andressa Kelenn Lima Martins, medicações como Prednisona, Ivermectina, Azitromicina, Loratadina, Paracetamol e Dipirona, quando receitadas pelo médico, estão sendo entregues no Centro de Apoio à Covid-19.