Roubaram-me horas de sono na manhã de sábado (20). Sequestraram o meu sossego e não pediram resgate. Numa cidade onde o que impera é o conformismo e o comodismo, não me admiro que você também tenha sofrido o mesmo que eu. Taquara degringolou de tal forma que mais parece uma cidade de faroeste, abandonada e sem lei, tanto é que não sei onde está o xerife. Quem sabe ele tenha ido se esconder em algum recanto florestal, com ar puro e sossego. Um lugar com árvores podadas, calçamento de dar inveja e sem cadeiras de estabelecimentos atrapalhando os transeuntes.
Quem sabe lá também tenha só o som do vento, dos passos e da voz, a qual não precisa ser aumentada já que não há carros de som atormentando ninguém. É bem possível que onde o xerife se resguarda também não haja lojas sem o mínimo de respeito com a vizinhança, e que ousam colocar uma dupla desafinada pra ficar berrando músicas inconvenientes das 9 da manhã até as 16 horas em pleno sábado.
Taquara não tem lei? Taquara só tem lei pra quem gera dinheiro para ela? Não convém se importar com os mortais moradores que têm seus ouvidos estuprados em horas inapropriadas? Mas as lojas têm passe-livre para fazer baderna quando bem entenderem. E dizem que possuem autorização da Prefeitura. Puxa vida, se eu for à Prefeitura posso pedir uma autorização para ter o meu sossego garantido nos finais de semana? Para poder ouvir o som da minha televisão sem dividir o espaço com o áudio ensurdecedor dos auto-falantes plantados em algumas lojas da Júlio de Castilhos? Os malditos já são objetos de decoração e pretendem fazer aquilo que a loja não consegue por incompetência própria: chamar os clientes.
Além disso, pela segunda vez, eu entrei em contato com a Brigada Militar, por motivos diferentes, e ambas as tentativas foram infrutíferas. Demoram a atender ao telefone e, quando o fazem, são ríspidos e acomodados. Se tiver alguém suspeito na rua, não é para se importar. Se o som me incomodar, é melhor eu falar com o dono da loja. Ok, belo trabalho. Até o meu inconsciente me ajuda mais do que esse serviço de “segurança”.
Não contente com o tal atendimento, fui até a loja pra fazer uma proposta bem simples a fim de libertarem a minha paz sonora: desliguem esse som, por favor? Não, não desligaram. Diminuíram o som, mas não o volume do microfone do ‘cantor’ com voz de galo garnisé. No fim das contas, não funcionou eu seguir a instrução sábia da BM.
Por fim, com o passar das horas, as pessoas já não passavam mais na calçada da loja. A estratégia de marketing não funcionou, espantou até os cachorros que por ali circulavam. Prejudicou inclusive o sorveteiro que teve que olhar as suas cadeiras vazias superbem dispostas na calçada. Ótimo local para as cadeiras.
Bruna Foscarini
Acadêmica de Jornalismo
Esta postagem foi publicada em 26 de março de 2010 e está arquivada em Caixa Postal 59.


