Do “Meu livro de citações” – Vida boa é mulher bem quente e cerveja bem gelada. As outras temperaturas a gente apenas suporta.
O SUJEITO DO PROCESSO
Comecei a lecionar efetivamente no ano de 1996 em Igrejinha, na Escola Municipal Machado de Assis. Foi concomitante com o início no Colégio Estadual João Mosmann de Parobé e no CNEC de Taquara. Uma diferença, se a lembrança não me trai, de poucos dias entre as três admissões. Tenho saudade de Igrejinha e da escola taquarense. Em Parobé, continuo. Esse começo tardio – melhor “recomeço”, pois em 1970 incursionara, rapidamente, pelo magistério – me trouxe três grandes surpresas ensinativas. A primeira: o professor não ensina; ele educa. Isso eu não sabia, pois sempre pensei o contrário. A segunda, é que o professor deve aprender com os alunos. Finalmente, à terceira me referi na crônica de 3 de outubro de 2008, aqui no Panorama: todo o ensino, perdão, a educação é feita visando a uma entidade indefinível chamada “cidadão crítico, sujeito do processo”. Naquele texto, classifiquei isso como jargão. Apenas uma forma politicamente correta de omissão por meio de eufemismos. Infelizmente, todo o ensino brasileiro está contaminado por tais bobagens. Talvez por isso, venha deixando a desejar.
Hoje, ainda no mês de início do ano letivo de 2010, depois de ler num jornal as palavras de uma palestrante, em reunião com professores aqui da região, insinuando que, se preciso, eles deveriam pagar mico; e ao tomar conhecimento de uma professora universitária declarando alto e em bom som aos seus alunos, futuros mestres, que ela, na sala, não manda nada, e todos são livres para seguir suas vontades, meu espanto se amplia. Como é?! Não temos autoridade e precisamos estar prontos para ser ridicularizados diante de quem deveria ter uma impressão positiva de nós? Ah! Não mesmo. Aqui está havendo um desvio de objetivos.
Em vez de cuidarmos da melhoria da produção, dedicamos nossos esforços à criação de um consumidor ideal ao qual não conseguimos satisfazer, justamente, porque a produção não funciona direito. A quem tentar defender o sistema atual, argumentando que produção e consumidor são apenas conceitos capitalistas contrários à plena realização do ser humano, só posso perguntar pelos resultados do nosso ensino. Eles estão aí, abaixo do lamentável. O cidadão crítico, apesar de quase duas décadas, ainda não brotou do ideal da pedagogia vigente.
Colegas professores, nós somos o fundamento do ensino. Não temos nenhuma necessidade de pagar mico e, quando estivermos em sala, somos a autoridade. Esqueçamos essa balela de que estamos em aula para aprender com nossos alunos. Nosso dever é ensinar, e eles estão lá para aprender. Chega de inverter valores.
É claro que para isso acontecer precisamos estudar muito e saber ensinar. Os que ainda estão na universidade, exijam trabalho honesto de seus professores, cumprimento de horários e disciplina. Aos já graduados, uma boa reciclagem não fará mal nenhum. O sujeito do processo vai nos agradecer do fundo do coração pelo nosso exemplo.


