
MEMÓRIAS DO EXÍLIO: Meu aniver na Pandemia
É, enquanto rascunho estas linhas estou a fazer 57. Quase na linha da idade de risco.
E, embora eu, nesse vai e vem de ir ou não às presenciais, tenha ido ao doutor saber se estaria a voltar, e ele disse “tu não tens o tipo que pega”. Pensei comigo “o Covid é que nem a gente, escolhe tipo pra namorar?”. Mas entendi, ele quis dizer que não tenho asma, bronquite, diabete e outros males que facilitam a contaminação. Mas, o que me parece é que o Covid não escolhe só quem tem tais males, tem que gente que os tem, e não pegou. Tem gente que não os tem, e pegou. Enfim…
O troço é um bicho de sete cabeças.
Mas cheguei até aqui bem. Na medida do possível. Pelo menos não contrai o maligno. Até agora. Talvez pelo fato de eu me cuidar desde as regras terem sido instaladas: uso máscara na presença de estranhos, evito aglomerados, saio o menos possível, e, principalmente, higienizo bem as mãos. Regras ignoradas, desdenhadas por muitos, por razões até mesquinhas.
O que ganhei foi uma forte contratura postural (coluna, muscular) que apita forte do lado direito, que se une a uma ancestral artrose do outro lado, no pescoço para me infernizar a vida, mesmo sendo tratada.
Resultado, em parte, pela falta de cuidado com a postura, mas também por mais tempo adquirido, mais tempo dobrado, ou melhor, redobrado em computador e telefone vindo dos planejamentos e burocracias que os novos meios de educar pedem, ou seja, as aulas remotas, ou à distância.
Alguns dizem “o Covid é como uma morte como outra qualquer”, tipo assim, você vai morrer igual se sair na rua e for atropelado por um ônibus. Acontece que você pode durar muito tempo se você for atento ao atravessar as ruas.
Precisamos estar atentos ao atravessarmos a rua, o Covid está com o pé na embreagem do ônibus nos esperando. Tive amigos, conhecidos, colegas e parentes contaminados, alguns ainda estão aqui, outros deles, não mais.
Meu presente, no caso aqui já adiantando o de Natal: que esse pesadelo acabe, que venha uma vacina confiável, que ano que vem possamos voltar a nos abraçar, só isso quero. Não é hora de sermos egoístas, de priorizarmos coisas pessoais. Estamos num momento em que um depende do outro. Eu me cuido por mim, mas também, por você.
Enquanto o homem continuar na estupidez e na ignorância fazendo de conta que o planeta não é um só, que não é de todos que neles estão, que todos não somos só um, enquanto o homem se deixar mover pela raiva, pela ganância, pela vingança, muitos e muitos outro casos escatológicos e babilônicos ainda estaremos por ver, sobrevivera sobre este planeta. Talvez eu não esteja mais, aqui, mas não quero isso para os meus que ainda estarão sobre ele.
“Aniver” hoje correndo com discrição, como pedem as regras. Não haverá reuniões de amigos, estamos todos nos respeitando, nos cuidando, para que tais reuniões voltem a acontecer, e que todos os que deles participavam, possam nelas estra presentes quando voltarem a ocorrer.
Para finalizar, este som, que diz tudo para nossa época:


