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Esta postagem foi publicada em 25 de janeiro de 2021 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Imprensa (de novo), por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – Artistas bem sucedidos, socialistas na defesa dos pobres, deveriam agir, doando o lucro de suas obras e xous. Ah!, não é disto que se fala?

IMPRENSA (DE NOVO)

 Eis, no título, um termo que me atrevo a enquadrar na categoria “palavra-ônibus”. Ou seja, é uma palavra com muitas aplicações, embora, neste caso, seu significado tenha ficado na área das comunicações. Para quem tem pouco trato com os meandros do idioma, atrevo-me a dar uma pequena explicação. A palavra perdeu seu sentido original, o de textos submetidos ao tratamento da prensa de tipos móveis de Gutenberg (com “n” antes do “b”), a chamada “imprensa”. Os tipos móveis deram o impulso definitivo à distribuição da literatura e da informação, fazendo a maior invenção do ser humano – a escrita – chegar a todos os pontos do globo. Com o tempo, essa palavra passou a denominar todo o universo comunicacional noticioso.

            No quesito “informação”, tudo ficou flagrante, pois possibilitou o surgimento de um tipo particular de impresso, fundamental para as relações humanas: o jornal. E aqueles que tinham como profissão a divulgação das ocorrências diárias no mundo, passaram a ser chamados de jornalistas. Hoje, embora ainda muito importantes nessas relações, os jornais, devido à evolução da informática, estão se retraindo, deixando o espaço para a informação eletrônica. Veja: imprensa ficou genérica, pois passou a indicar, inclusive, sistemas baseados na eletricidade e não mais, apenas, nos jornais propriamente ditos. O captador e divulgador de notícias manteve seu nome: mesmo para rádio e televisão; continuou chamado de jornalista.

            À vol d’oiseau (expressão francesa, indicando algo avaliado de maneira rápida), tentei mostrar o surgimento do termo que dá nome a este comentário. A necessidade de conhecer acontecimentos fez as populações darem muito crédito aos assuntos publicados. Impressa ou transmitida em rádio e televisão, a informação passou a ser verdade inquestionável, dando grande força aos seus divulgadores, ainda que mantivessem independência ao tratar uma história. Consequente à influência sobre as gentes, a imprensa tornou-se uma espécie de quarto poder nas nações. Naqueles lugares mais “democráticos” do mundo, é padrão o controle absoluto da informação circulante entre o distinto público. As notícias o atingem – quando atingem – só depois de filtradas por uma burocracia centralizada, divulgando apenas os interesses do dono. Significa censura. É uma espécie de consórcio de veículos de comunicação, aliás, já existente no cenário brasileiro. Por enquanto, aqui, é voluntário, mas… quem sabe?

            Aquela independência na abordagem das matérias já teve um nome poético em se tratando de imprensa: isenção. Porém, como escrevi acima… quem sabe?

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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