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DOCES PALAVRAS
Cecília Meirelles, uma das grandes poetisas da literatura brasileira, nascida em novembro de 1901 e falecida em 1964, um dia, lapidou e descreveu o que é uma palavra: “Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!”
Uma das caraterísticas da publicidade, de maneira geral, embora não só, é descrever aspectos da vida sob um viés otimista e alegre. Para isto, usa imagens e, além de tudo, palavras. Claro, existem anúncios falando de situações pouco edificantes ou, mesmo, trágicas. Porém, no todo, pode-se dizer, se você der atenção ao que está lendo ou olhando e ouvindo, sua vida será, no futuro, um mar de rosas. Veja, por exemplo, os filmes de propaganda na televisão. Estamos no meio de uma situação sanitária bem delicada, em função da pandemia, mas os anunciantes aproveitam para prometer, inclusive, o surgimento de um dia a dia de mais amor e compreensão na humanidade. Quando “tudo isto tiver passado”, óbvio! Aliás, é notável a imaginação das pessoas, criando expectativas nunca antes atendidas pela realidade. Só para usar como tema situações semelhantes às vividas hoje, lembremos a Peste Negra e a Gripe Espanhola. Conclusão, a humanidade continuou igual depois delas. Nós, hoje, somos o futuro daquelas épocas e as coisas continuaram iguais: guerras, pestes, tristezas. Alguém, talvez, rebata com a precariedade dos meios de comunicação nos séculos passados, durante aqueles acontecimentos, para insinuar com falta de estímulo na condução do ser humano em direção a um mundo melhor. Essas assertivas de um novo mundo são feitas, anonimamente, em propaganda, mesmo assinados por uma companhia; por uma empresa de comunicação; por uma instituição qualquer. Mas são, apenas desejos, mesmo, teoricamente, positivos.
Pareço-lhes um pessimista? Pois lembro do irmão do Professor Raimundo da Escolinha do Professor Raimundo – sabiam disto? –, um pilantra político chamado Walfrido Augusto Canavieira. Ao ser cobrado por alguma promessa feita durante suas atividades públicas, sentenciava: “Palavras são palavras, nada mais que palavras”. Se alguém contestar a inclusão desse personagem no texto, argumentando ser fictício, rebato, perguntando: qual o problema? Não serão fictícias as manifestações de indústrias, de sociedades, de lojas comerciais, de clubes esportivos, manifestando-se, anonimamente, através de personagens artísticos, atletas ou, mesmo, inventados para a mensagem? E, além disto, a manifestação partindo de um personagem real, não será ela, tão só, manifestação de um desejo? Ou seja, uma quimera?
Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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