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Hospitais vivem “tempestade”, diz diretor das casas de saúde de Igrejinha e Parobé

João Schmitt e enfermeira Clarissa Possmoser participaram de entrevista à Rádio Taquara.

Em um relato de um cenário preocupante provocado pela pandemia do novo coronavírus, o diretor-administrativo dos hospitais de Igrejinha e Parobé, João Schmitt, disse, nesta terça-feira (9), ao programa Painel 1490 da Rádio Taquara, que as casas de saúde vivenciam um cenário de tempestade. Segundo ele, a lotação é máxima nos hospitais, por conta da pandemia da Covid-19 e o crescente número de pessoas que estão sofrendo a infecção. Este momento é o mais grave e provoca inúmeros transtornos.

Na última sexta-feira (5), o hospital de Igrejinha abriu 10 leitos de terapia intensiva (UTI) para o atendimento à comunidade. Trata-se de um esforço da casa de saúde, que até então não possuía este tipo de leito, apenas trabalhava com a internação clínica. João frisou que trabalha, junto ao governo do Estado, para ampliar a oferta de leitos clínicos agora. Schmitt também menciona a ampliação da UTI em Parobé, com seis novos leitos acrescentados na última sexta-feira. O diretor enfatizou o apoio dos governos estadual e dos dois municípios às casas de saúde.

Mas, essa situação de lotação provoca inúmeros problemas. A enfermeira Clarissa Possmoser, da coordenação de atendimento em Parobé, relatou que o último final de semana foi de muitas dificuldades enfrentadas. Os profissionais, segundo ela, tiveram que atender muitos pacientes da forma que podiam, muitas vezes sem as condições adequadas de leitos, entre outras questões. João Schmitt mencionou, ainda, o alto consumo de insumos provocado pela pandemia, bem como o aumento de preços que provoca desafio à gestão. Citando especificamente um problema, Schmitt indicou a dificuldade ampliada para a compra de anestésicos.

Questionado especificamente sobre a falta de oxigênio, por conta da situação ocorrida em Manaus (Amazonas) no começo do ano, Schmitt explicou que os hospitais têm contrato com uma empresa fornecedora e, por enquanto, não tem tido problemas na aquisição de oxigênio líquido. Ainda nesta semana, a casa de saúde de Parobé providenciou a compra de um tanque maior. E isso ocorreu, justamente, porque o consumo se ampliou consideravelmente. Schmitt diz que outra questão que ocorreu, por conta do consumo, é o congelamento de oxigênio no sistema de encanamento, o que exige cuidado adicional do setor de manutenção do hospital de Parobé. No tocante a oxigênio, o maior problema é o abastecimento dos pequenos cilindros, que são utilizados por pacientes em deslocamentos. Neste caso, os materiais estão escassos no mercado.

Sobre o perfil dos pacientes, Schmitt e Clarissa contaram que cada vez mais o número de jovens, de diferentes idades, está sofrendo a infecção pelo novo coronavírus. Além disso, os pacientes têm chegado aos hospitais em uma situação mais agravada, exigindo, em muitas vezes, internação em UTI e ventilação mecânica, o que nem sempre está disponível. Em um apelo à comunidade, os dois enfatizaram o pedido para que mantenham os cuidados indicados de prevenção. João reforçou, ainda, que não é mais o momento de reclamar, seja no hospital ou com as autoridades. Esse momento, segundo ele, já passou, é a hora de se cuidar, e auxiliar para evitar a circulação do vírus.