Do “Meu livro de citações” – Punir o útil e o agradável: este é o lema de muita gente.
DESCULPAS
Essa palavra, “grosso modo”, nomeia duas situações diferentes, embora de origem idêntica. Uma delas aborda o ato de explicar algo que deixou de acontecer de acordo com o esperado e quando alguém precisa – ou quer – justificar. Para fazer isso, são enumeradas razões – as desculpas – muitas vezes bem distantes da verdade, tentando dar uma consequência lógica à falha. A outra situação é aquela em que se desejam as boas graças de um suposto ofendido por alguma ação nossa. E nem sempre o ofendido é tão suposto assim.
Por que estou falando isto? Fácil. Agradeçam a lembrança ao Fenômeno, o Ronaldinho. Há umas duas semanas, se tanto, ele se irritou com alguns fãs e lascou o famoso gesto que dá uma utilidade especial ao nosso dedo médio. Até a ex-ministra Dilma já foi apanhada “dizendo” a mesma coisa. Entretanto, o refinado atleta reconheceu sua vulgar atitude e, em respeito aos seus milhares de bem-educados admiradores, veio a público lamentá-la.
Sobre a ministra prefiro não comentar, até porque, embora sem desculpá-la, não vejo, ali, nada tão horrível. Talvez porque sejamos da mesma laia, quem saberá? No fundo, no fundo, os pedidos de desculpas têm a missão única e exclusiva de limpar o currículo de quem as está pedindo. Interesses nem sempre tão puritanos impulsionam os exames de consciência. No róseo mundo do politicamente correto, as pessoas são educadas, jamais pensam em fazer mal a ninguém e nunca, mas nunca, se atrevem a passar de um eventual e reprovável mau pensamento à torpe ação.
Quando, por um deslize inominável, o “crime” acontece, a solução é pedir desculpas para restabelecer o equilíbrio e a paz mundial. Imaginem se o Fenômeno não se escusasse. O futebol entraria em colapso. Provavelmente, a Copa do Mundo da África do Sul ficaria a perigo.
Porém, mais coisas, além dos gestos obscenos, alimentam a cultura da desculpa. O papa João Paulo II, em 1992, desculpou-se pelas atitudes da Igreja Católica com relação a Galileu quase 400 anos antes. Como se, agora, tivesse importância! Mais recentemente, nos Estados Unidos, outro esportista, Tiger Woods (do emocionante esporte, o golfe!), depois de ter esquecido seus compromissos matrimoniais e pulado várias vezes a cerca, veio a público, confrangidamente, dizer que não era nada daquilo que a gente estava pensando. Mas, prometeu, o engano nunca mais se repetiria. Foi uma desculpa de muitos milhões de dólares na tentativa da recuperação de gordos e gostosos patrocínios.
Ah!, carinhas, parem com tanto bom-mocismo! Se for para pedir desculpas mais tarde, não façam ou não digam bobagens antes. Assim ficarão muito melhor e, pelo menos, ninguém os julgará hipócritas durante as retratações, pois elas não serão necessárias.
Sinceramente, este é o meu pensamento; mas, se vocês não gostarem, eu me desculpo!


