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Após superar a Covid-19, moradora de Parobé enfrenta a dor de perder quatro pessoas da família para a doença

Denilson Bragança, 50; Neide Oliveira, 72; Gilberto Zembruski, 55; e Chrilaine Bragança, 38; faleceram devido a complicações da Covid-19.
Denilson Bragança, 50; Neide Oliveira, 72; Gilberto Zembruski, 55; e Chrislaine Bragança, 38; faleceram devido a complicações da Covid-19.

A parobeense Fátima Regina Mattos, de 55 anos, tem passado por momentos difíceis em sua vida. Momentos que nenhum ser humano deveria enfrentar. Após ter sofrido a Covid-19 (doença provocada pelo novo coronavírus), e ter se recuperado da infecção, ela perdeu, em menos de um mês, dois irmãos, a mãe e o padrasto para a doença. Dois deles, o padrasto e a irmã mais nova, faleceram no mesmo dia.

Fátima Regina Mattos, de 55 anos. Foto: Arquivo família

Fátima contraiu a infecção em agosto passado. Depois do diagnóstico, teve que ser internada no Hospital São Francisco de Assis, em Parobé, onde passou 12 dias em um leito clínico. “Assim que tive uma melhora, fui informada que minha sorte foi não precisar ser intubada. Porém, fiquei com meus pulmões bastante comprometidos e ainda estou em tratamento”, conta. Segundo ela, o médico teria lhe pedido para se manter afastada de outras pessoas, pois poderia ser novamente contaminada por uma nova cepa da doença e seu tratamento seria ainda mais difícil.

Durante os meses em que vem se tratando, março foi o mais difícil enfrentado por Fátima, pois viu sua família de “sangue” – como ela diz – um a um, morrer por complicações da Covid-19. “Esse afastamento me machucou muito. Vê-los sendo internados e não poder estar lá para ajudá-los me dói muito, muito, muito. Eu não pude chegar perto. E mesmo porque, quando a pessoa entra para o hospital, quase sempre a gente não a vê mais, né?!”, detalha Fátima.

O primeiro a contrair a doença, meses depois de ela ter recebido alta hospitalar, foi seu irmão, Denilson Bragança, de 50 anos, já em 2021. Ele foi diagnosticado no dia 10 de março, sendo internado no Hospital São Francisco de Assis. Denilson permaneceu na casa de saúde até o dia 12 e não resistiu às complicações da doença, vindo a falecer neste dia. Fátima viu seu mundo desabar com tamanha dor pela perda de seu irmão, cinco anos mais novo. Mal sabia ela o que ainda estava por vir.

Seis dias após enterrar o irmão, sua mãe, Neide Oliveira, de 72 anos, foi infectada pelo novo coronavírus. Dona Neide, foi internada no Hospital de Sapiranga, no dia 18 de março, onde permaneceu até o dia 31 daquele mês, quando veio a falecer.

Durante o período em que sua mãe esteve em tratamento na casa de saúde, Fátima assistia de longe a internação de outros dois membros da família: seu padrasto, Gilberto Luis Zembruski, de 55 anos, e a irmã caçula, Chrislaine Bragança, de 38 anos. Zembruski foi diagnosticado com a Covid-19 no dia 21 de março, quando teve que ser hospitalizado. Já Chrislaine ‘baixou’ no hospital no dia 24. Ambos estavam internados na casa de saúde parobeensse.

No último sábado, dia 3 de abril, a notícia que ninguém gostaria de receber. O padrasto e a irmã caçula, que Fátima dizia ser ‘sua jóia mais preciosa’, morreram vítimas da doença. “Então hoje foi minha jóia mais preciosa. A única que tinha ficado. A minha irmã, o meu sangue, o resto da minha família, de sangue. O que fazer sem você, meu ombro amigo, minha confidente, minha luz, minha querida! Sem minha mãe, sem meu irmão, sem meu padrasto. Deus, por quê? Que será de mim? Te amo! Nunca te esquecerei”, desabafou Fátima nas redes sociais.

Denilson Bragança, 50 anos, Neide Oliveira, 72, e Chrislaine Bragança, de 38 anos, foram sepultados no jazigo da família, localizado no Cemitério São João Batista, em Parobé. Já Gilberto Luis Zembruski, de 55 anos, teve o corpo conduzido à cidade de Getúlio Vargas, onde foi sepultado no cemitério municipal.