
EU SINTO MUITO
Há muitas características que um ser humano pode ter ou que uma sociedade pode desenvolver: intolerância, ignorância, desrespeito, agressividade, violência, etc. Mas, a maldade é certamente a pior delas. Maldade segundo o dicionário é a qualidade do que é mau, do que é perverso, do que é cruel, do que é desumano. E porque estou falando disso?
Essa semana me deparei com uma postagem, em uma página de Facebook, em que se lamentava a morte de mais de 4.000 pessoas, em um único dia, vítimas de Covid-19 no Brasil. Uma postagem realmente triste, daquelas que nos deixam para baixo e reflexivos sobre tudo que estamos vivendo em nosso país e no mundo.
Pasmem, mas havia um comentário que dizia o seguinte: “kkkkkkkkkkkkkkkkkkk”!
Para quem não sabe a expressão “kkkkkk” é utilizada pra descrever risos, gargalhadas, alegria.
O sujeito foi questionado, respondeu com mais “kkkkkkkkk”…Eu li, reli… Pensei e repensei. Não comentei. Se fiz o certo ou não, não sei. Mas não comentei. Talvez porque no momento fiquei sem palavras, talvez porque minha surpresa foi tamanha que nem pude reagir, ou talvez porque percebi que para alguém que faz um comentário desses numa postagem que chora a morte de mais de 4.000 pessoas, nenhuma de minhas palavras importaria. Não faria diferença.
Provavelmente esse sujeito, já pela casa dos seus 50 anos, sabe muitíssimo bem o significado de uma morte, quanto mais de 4.000 delas. Sabe muito bem que comemorar, rir ou debochar dessas mortes é perverso e cruel. Sabe muito bem que cada uma dessas pessoas que morreram eram o amor de alguém, o filho ou filha de alguém, os pais de alguém, os avós de alguém…
Voltei à postagem e mesmo assim não comentei. Porque sabia que minhas palavras não fariam nenhum efeito sob esse ser e que o desgaste psicológico seria apenas meu.
Porque psicopatas e sádicos não amam, porque psicopatas e sádicos não sentem!
Mas eu sinto, e eu sinto muito!
Por Ana Maria Baldo
Professora, de Taquara
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