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Esta postagem foi publicada em 18 de abril de 2021 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Não mais que de repente, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – Atualizando ditados: “Quem com ferro confere, com ferro será conferido”.

NÃO MAIS QUE DE REPENTE

Coincidências são corriqueiras na nossa vida diária. Quase sempre, nem nos damos conta de ter passado por uma. Elas só impressionam quando os acontecimentos são ligados a um resultado e chamam a atenção pelo inusitado (que pode ser curioso ou, simplesmente, não imaginado). O mais interessante é que não há necessidade de concomitância temporal ou tópica entre os fatos para haver uma coincidência. Por exemplo, há algum tempo, neste espaço, narrei uma história envolvendo-me. O tempo passado entre dois fatos cobriu, mais ou menos, 55 anos, mas foi coincidente. Rememorando: no primeiro evento, eu tinha uns 18 anos, cheguei a minha casa na hora do almoço, após uma manhã de estudos. Quando comecei a trocar a roupa, uma aliança caiu-me do bolso da calça. Nunca descobri como ela foi parar ali. Até aí, embora estranho, só despertou de leve a minha curiosidade. Entretanto, passados os tais 55 anos, num dia, ao voltar do supermercado aqui em Taquara, de uma das sacolas caiu um anel. Isso foi coincidência, pois não é normal caírem joias de nossas roupas e sacolas, exceto que trabalhemos com elas. Neste segundo caso, descobri a dona. Era uma caixa do súper. Devolvi-lhe, mas não consegui saber como o anel parou na sacola.

Com esta explicação, chego à coincidência desta semana. Após um rearranjo de móveis, documentos, roupas e livros feito aqui no apartamento, reapareceu uma revista Mundo Estranho, de fevereiro de 2012 (nove anos atrás, portanto). Ela jazia esquecida em algum armário. Abri-a, aleatoriamente, e me surgiu, diante dos olhos, uma reportagem sobre o flash mob. Você lembra disso? Era aquele movimento no qual, em praças ou outros lugares espaçosos, sem qualquer aviso, algumas pessoas presentes passavam a realizar ações coordenadas. Muitas orquestras aproveitavam para fazer suas apresentações públicas diante de muita gente. Li a revista na quarta-feira. Na quinta-feira, liguei o meu celular e, não mais que de repente, sem eu ter procurado, apareceu um flash mob! Ó, coincidência!

Na verdade, nunca tive simpatia por aglomerações (nada a ver com a pandemia). Uma vez, escrevi no “Meu cinicário”: “mais de duas pessoas, para mim, é multidão”. O primeiro vídeo visto, entretanto, foi a fantástica Carmina Burana, de Carl Orff; o segundo, a obra musical mais original já composta, segundo meus parcos conhecimentos: Bolero, de Maurice Ravel! Apesar de tanta plateia, tornei-me fã do flash mob!

Como dizia minha mãe, “a boca fala e o (*) paga”! Bendita coincidência!

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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