Colunas Haiml & etc.
Esta postagem foi publicada em 16 de abril de 2010 e está arquivada em Colunas, Haiml & etc..

Haverá esperança?

Vendo a necessidade que a minha pequena de um mês e meio tem de estar agarradinha, precisando do carinho, do alimento e da voz tranquilizadora da mãe, eu fico muito perturbado com as coisas que certas “mães”, e pais, fazem aos recém-nascidos. E fico triste e decepcionado por ver que se multiplicam nos últimos dias as crueldades feitas com os pequeninos.
Fico a pensar no que fazer com uma “mãe” ou um “pai” que estrangula um recém-nascido e o larga no lixo. Preocupa-me como terá sido a formação de tais pessoas e o que será delas. Que valores levam dentro de si? Preocupa-me profundamente como chegaram a tal ponto e pondero onde estamos falhando, nós, seres humanos “conscientes”, educadores, religiosos, governantes, em pelo menos atenuar o número de tais crimes?
O que pensar de tais violências contra os anjos recém-vindos depois de ter tido o privilégio de ver o mistério da explosão da vida acontecer e se desenvolver a partir de mim, perto de mim, de ver a impressionante transformação de uma simples gosma (perdoem o termo, um pouco de humor é bom) num ser humano em toda a sua complexidade, em todos os seus mínimos e maravilhosos detalhes e que agora respira, se move, chora e ri, e que logo vai estar a falar, a pensar, a cantar em meu colo?
Depois disso, o que pensar de “mães” que vão à balada, sendo que uma deixa os filhos pequenos presos e sozinhos em meio a latas de cerveja, carteiras e tocos de cigarros e outros lixos, e a outra, grávida, tem apenas 13 anos? E de pais viciados em lan house que deixam recém-nascido morrer abandonado em casa?
E o que dizer de um sujeito embriagado que dirigiu na contramão por 20 quilômetros, batendo em todo mundo, até acabar com uma família? Matou pai e mãe e deixou como única testemunha da desgraça a filha pequena do casal, que estava junto no carro. E se tal “motorista” já tinha no currículo várias infrações, por que ainda estava dirigindo? Sorria, aqui é Brasil! E outro, também embriagado, que matou um pai e um menino de 7 anos….O que dizer para a esposa e mãe? O que tal mulher, agora, terá vontade de fazer?
Será preciso que um irresponsável mate ou deixe aleijado um ente querido nosso para que peçamos mais postura da lei, que seja ainda mais dura e inclemente com os que bebem e saem a dirigir, não dando a mínima pra ninguém, pra lei nenhuma? Ou somos coniventes, não queremos abrir mão daqueles “traguinhos” básicos?
Me assusta como o mundo vai a pior, e é nele que minha filha vai viver, e por isso que, às vezes, penso “desculpe, Isabella”. Só resta pedir aos bons anjos que a guiem incólume em meio a essa loucura toda.

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