
As árvores da calçada
Andando recentemente pelas proximidades de minha residência, me deparei com um fato que eu ainda não havia percebido: existia uma árvore exatamente no meio da passagem de uma calçada. E poucos metros depois, dois postes. Também posicionados no local em que transitam pessoas, afinal, o meio da rua é destinado a veículos. Eu parei, pensei, fiquei alguns segundos perplexo. Quase digo que é coisa de português, porém, seria maldade com eles. Óbvio que eu sou totalmente favorável e vejo as árvores como essenciais para o nosso planeta. O que acontece neste local que eu mencionei e acredito que em muitos outros Brasil a fora, é que obstruindo a calçada, simplesmente impede pessoas de transitar. Talvez para o dono da residência seja bom, dá privacidade, só que para uma cadeira de rodas, como fica?
O andante pelos meios tradicionais, possivelmente se encolhe, passa espremido, atravessa a rua rapidinho, já alguém com uma cadeira, coça a cabeça, fica sem entender a mente humana, também vai atravessar a rua, só que mais devagar, rezando para não surgir nenhum carro em ritmo acelerado.
As calçadas por si só seguem sendo um grande dificultador em qualquer que seja o deslocamento. Se der sorte, não ficamos presos em nenhum buraco. Talvez pensando em nossa segurança, agora se aderiu trancar as calçadas.
É engraçado, eu me diverti olhando aquela cena. Porém, é sério.
O ano é 2021, não tem calçada, não tem rampa nos estabelecimentos, que tempos tecnológicos são esses? A gente não voa não.
Na imaginação até sim, na certeza de romper qualquer obstáculo também. Entretanto, existem barreiras que fogem ao nosso controle.
E aí não tem rodas que salvam. É a consciência mesmo.
Por Cassiano Gottlieb, de Taquara
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