
Em pouco mais de um ano, três tradicionais marcas do Rio Grande do Sul, duas do segmento feminino e uma do infantil, foram adquiridas por duas empresas, da cidade de Birigui, em São Paulo, e de Igrejinha, no Vale do Paranhana. As etiquetas, consolidadas tanto no mercado nacional quanto no internacional, passaram a ser geridas por novos fabricantes.
Com 29 anos de mercado, a Bernardi Calçados, de Três Coroas, que produzia a marca Divalesi, anunciava o encerramento de suas atividades, em maio de 2020. Três meses depois, a Calçados Tabita, com sede em Igrejinha, adquiria os direitos de marca e de distribuição da etiqueta, conhecida por seus calçados de festa. A empresa não comenta valores dessa transação.
“Em agosto do ano passado, com a denifição clara do encerramento das operações de distribuição da Divalesi pela antiga empresa, as conversas entre os proprietários acabaram se alinhando para que a Tabita adquirisse os direitos da marca (Divalesi) e assim a oferta para o mercado não tivesse uma interrupção”, explica o gerente comercial da Calçados Tabita, Júnior Teixeira.
Estruturação
Os processos desde a criação até a produção da Divalesi pela Calçados Tabita começaram em setembro de 2020 e a distribuição logo no mês seguinte, em outubro. A empresa definiu que todo o desenvolvimento dos calçados fosse feito por equipe interna, já estruturada exclusivamente para atender a Divalesi. “Estrategicamente para a empresa são tratados como três negócios diferentes: a gestão da marca Divalesi, com sua equipe de criação e mercado exclusivos; a marca Tabita, também com sua equipe de criação e comercialização próprios e a indústria, que passa a atender a produção das duas marcas, além da exportação”, pontua Teixeira.
Em 2020, ao completar 50 anos de atividades, a Calçados Tabita se reposicionou no mercado em meio a um processo de sucessão na gestão da companhia. E, um dos focos da empresa passou a ser o de atualizar e tornar mais competitivo o projeto de marca no mercado nacional. “A Divalesi entra nesse portfólio da mesma forma. A marca vai passar por uma renovação muito forte na sua proposta de mercado e na sua coleção. Fazer frente no mercado de forma competitiva e uma conexão ainda mais forte com a sua consumidora são os objetivos”, adianta o gerente comercial da calçadista.
A estrutura de criação, desenvolvimento e a equipe comercial da Divalesi foram os principais focos de investimento da Calçados Tabita. “São todos novos para a empresa, inclusive dando continuidade a parte das equipes que já trabalhavam com a Divalesi antes”, conta Teixeira. Investimentos em parque fabril e na estrutura produtiva estão todos dentro do plano de expansão industrial da fabricante
Grupo paulista adquire Ortopé e Dijean
Buscando alternativas para ampliar o seu portfólio de produtos até então contemplado por uma etiqueta do segmento infantil, o Grupo Dok, de Birigui/SP, que tem 10 anos de mercado e está presente em todo o território nacional e em países da América Latina, Europa e Oriente Médio, negociou, no ano passado, a compra de duas tradicionais marcas do setor calçadista brasileiro: a Ortopé e a Dijean.
Negociada com a Paquetá The Shoe Company, de Sapiranga, no primeiro semestre do ano passado, a Ortopé passou a ser gerida pela fabricante paulista em agosto de 2020. Já, a Dijean, adquirida no ano passado da Vulcabras, que tem centro de desenvolvimento em Parobé, começou a ser operada pela companhia de Birigui em janeiro deste ano.
“A força das duas marcas deu respostas certas quanto à implementação do volume produtivo e consequentemente fortalecendo a presença e a relação do Grupo Dok com parceiros do varejo”, sustenta o diretor-presidente do Grupo Dok, Paulo Henrique de Almeida.

Aquisição de planta fabril da Vulcabras
Em 2019, o Grupo Dok havia adquirido uma planta fabril da Vulcabras na cidade de Frei Paulo/SE. Com a compra da unidade de produção no Sergipe, a intenção inicial da fabricante de Birigui era recepcionar produtos da Ortopé naquela região, além de potencializar outras duas marcas do grupo, que se encontravam em estágios embrionários de penetração. “A partir da aquisição desta planta fabril é que foram iniciadas as conversas que levaram a compra da Dijean no ano passado”, comenta Almeida.
Com mais duas marcas em seu portfólio e buscando atender à demanda de produção, o Grupo Dok aumentou o seu quadro de colaboradores no ano passado. No segundo semestre de 2020, ampliou em 20% a mão de obra na unidade de Birigui e, em 25% na planta de Frei Paulo, suprindo a necessidade de prossionais especializados nas áreas administrativa e industrial. Atualmente, a fabricante emprega diretamente 1.450 colaboradores e produz 14 mil pares de calçados por dia.
Fonte: Michel Pozzebon/Jornal Exclusivo


