
A Administração Municipal de Taquara, através da Secretaria de Interior e Serviços Rurais, firmou uma parceria com a Emater para estudarem formas de recuperar o solo da horta do Presídio Estadual de Taquara, com o objetivo de beneficiar a comunidade taquarense que passa por situação de vulnerabilidade social, principalmente devido à pandemia causada pelo novo coronavírus.
Segundo o secretário de Interior e Serviços Rurais, João Carlos de Brito, a iniciativa pretende otimizar a horta da casa prisional com a recuperação do solo, visando uma produção melhor e mais rentável, o que favorecerá ainda mais pessoas, pois, além de servir para o próprio consumo, os alimentos ali plantados e cultivados pelos detentos serão o sustento de muitas famílias.
“Esta é uma parceria que merece a nossa gratidão, pois muitas famílias terão alimentos fresquinhos cultivados pelos detentos que cumprem pena no local. Neste primeiro momento, estamos fazendo o levantamento e a análise do solo para que possamos trabalhar na sua recuperação. A horta já é utilizada e muitos legumes e verduras já são disponibilizados ao CRAS para o repasse às famílias, mas queremos melhorá-lo para que a qualidade dos alimentos aumente e se possa plantar ainda mais”, destacou Brito.
O secretário relata ainda que a parceria iniciou com a visita da prefeita Sirlei Silveira ao local.
“A prefeita fez algumas visitas ao presídio e solicitou que fossemos auxiliar na questão da horta. Os técnicos da Emater e da prefeitura fizeram um levantamento e perceberam que havia a necessidade de recuperação do solo. Estamos trabalhando nisso, algumas cargas de esterco já foram destinadas e a análise do solo foi encaminhada para Porto Alegre, assim saberemos o que podemos fazer para melhorar o cultivo”, reitera.
Parceira da iniciativa, a Emater está auxiliando na análise do solo. A coleta já realizada está em processo de interpretação.
“O presídio já tem uma horta implantada e em produção, mas queremos potencializar a questão dos alimentos que serão cultivados e doados para famílias carentes. Vamos analisar o solo para avaliar o que precisa ser feito a fim de aprimorar a demanda. Futuramente pretendemos fazer plantio direto com menos manejo, reduzindo a questão de maquinário também, pois a horta é muito grande e o presídio não dispõe de muitos recursos e infraestrutura para mantê-la”, explica a chefe do escritório municipal da Emater, Carine Gross de Barros.
De acordo com a prefeitura de Taquara, a ação em andamento também conta com a ajuda de Nara Mattos, representante do Espaço Sócio Ambiental Nara Mattos, que neste primeiro momento auxiliou na aquisição de adubos junto às instituições que integra, e da vereadora Carmem Fontoura, que também arrecadou insumos para a fertilização do solo e fornecimento de nutrientes às plantas cultivadas até que a análise do solo seja finalizado.
As visitas no presídio também contaram com a presença do técnico agrícola do município, Juciano Pires Cerveira, e do diretor de Agricultura, Daniel Ricardo Zwetsch.
Segundo a diretora do Presídio Estadual de Taquara, Mara Pimentel, a horta existe há bastante tempo e os alimentos eram destinados a outras entidades como, por exemplo, para escolas estaduais, municipais de Taquara, Lar Padilha, Apae, Festejos Farroupilhas, Igrejas e familiares de apenados.
“Com a pandemia, escolas fechadas e acessos bem restritos, diminuímos a produção. Logo, com a economia estagnada do momento, pensei em contatar a Secretaria de Desenvolvimento Social onde nos foi relatada a necessidade das famílias de baixa renda e a procura por alimentos. Pensando em um enriquecimento nutricional, nos dispusemos a fornecer os “hortifrutis”, menciona Mara.
A diretora salienta que este trabalho realizado no presídio vai muito além do envolvimento dos detentos com o plantio e colheita e das doações dos alimentos.
“Esta ação agrega parcerias e levam à sociedade um pouco da nossa história, de como de fato é desempenhado o nosso trabalho, algo importante porque sabemos que quando se fala em sistema prisional as pessoas não querem ver, ouvir ou falar. Precisamos mudar essa cultura e fazer com que entendam que temos o compromisso de entregar de volta ao convívio social, seres humanos melhores, pra isso temos quer ser vistos, falados e ouvidos. Precisamos estar juntos com a sociedade! O ato de produzir e doar traz ao apenado a real noção que ele pode agir de maneira correta, que pode ter orgulho e é admirado pelas pessoas. O efeito é surpreendente”, afirma a diretora do Presídio Estadual de Taquara.





