Do “Meu livro de citações” – Se o que realmente importa é a beleza interior, por que os programas de televisão, os concursos e as revistas só mostram a outra?
INOCÊNCIA
Não sei se os americanos são bobinhos ou se eles apenas fingem. Sou admirador desse povo, muito pela sua capacidade empreendedora. Os caras conseguem transformar em atividade lucrativa tudo aquilo em que colocam a mão ou, melhor, o cérebro. E o mundo vai atrás.
Esqueçam os ranços sociopolíticos – principalmente os politicamente corretos (uma invenção deles, até isso!). Esqueçam as tolices da turma que pensa de um jeito, quando fala dos Estados Unidos, achincalhando, e de outro, de Cuba e da Coreia do Norte, elogiando. Analisem comigo: para uma nação surgida há 500 anos, e estruturada só há pouco mais de 230, eles criaram um espírito bem sólido em termos de cultura e tradições. Outras grandes nações do mundo, usadas como qualquer medida de comparação, já tiveram bastante mais tempo de existência para isso, amalgamando tradições e as difundindo, utilizando, inclusive, os mesmos meios pouco louváveis – invasões, opressão, etc. – tão criticados naquele. Pois, mesmo essas agora seguem os passos americanos.
Um exemplo concreto do que escrevo é o Natal. Vocês conseguem imaginar o Natal sem todas aquelas guirlandas, sem o Papai Noel, gordo, vestido de vermelho, sem o trenó e suas renas, entregando os presentes no dia 24 de dezembro? Sei, nem as comemorações natalinas nem o bom velhinho foram inventadas pelos ianques, mas a interferência deles deu uma conformação mundial à comemoração.
Outro exemplo são as igrejas eletrônicas. Elas começaram em 1949 com Rex Humbard e se tornaram um grande filão empresarial, veiculando espetaculares xous de oratória e música em grandes auditórios, transmitidos por rádio, televisão e internete e hoje presentes em boa parte do Planeta. Utilizam o que há de mais moderno na ciência na missão evangelizadora.
Finalmente, para não me estender nos meus encômios aos queridos irmãos do norte, quem não conhece uma revendedora da Avon ou de qualquer sistema de distribuição comercial semelhante. Procurem saber onde ele foi criado.
Pois é! Um povo assim tão esperto me espanta, entre outras coisas, por duas razões bem singelas. Conheço-as, devo confessar, apenas de livros, revistas e cinema. Alguém aí já notou o quanto eles usam lanternas de mão? Nas situações mais inusitadas e perigosas, ainda quando precisam manter total sigilo de sua presença, lá aparece uma, denunciando e transformando seu portador em alvo na escuridão. A lanterna não falta.
E, para encerrar, será que os americanos realmente acreditam naquelas carteiras apresentadas pelos policiais para se identificar? Serão os bandidos, numa nação tão criativa e tecnológica para tudo quanto é coisa, felizmente, desprovidos de imaginação a ponto de nunca falsificaram uma identificação policial? Só pode ser, pois as carteiras continuam a ser mostradas impudentemente.
É, os americanos não são bobinhos, não. Estão é nos fazendo de!


