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Esta postagem foi publicada em 31 de maio de 2021 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Entrevistas, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – Nos exames escolares ou de concursos, Deus ajuda quem tem fé. Mas o Diabo, esse cornudo guampa-torta, só aprova quem, de fato, estuda!

ENTREVISTAS

A entrevista é um gênero literário de grande importância no relacionamento social. Basicamente, uma entrevista é uma sondagem a respeito das crenças,  pensamentos, projetos e atos de alguém. De maneira geral, temos a entrevista de emprego; a entrevista médica; o recenseamento e, sabe-se lá, quantos tipos mais! Por exemplo, há um modelo de grande impacto e muito apreciado por leitores, espectadores e ouvintes. Notem: os três tipos de público alvo desse gênero, são aqueles clássicos consumidores das mídias tradicionais, representadas por jornais e revistas, televisão e rádio. Englobam as entrevistas dadas por pessoas de destaque nas artes, nos esportes e na política. Não podemos deixar de lado as pesquisas de opinião. Embora com características bem definidas – produção de dados para serem usados em estatística –, o escopo continua o mesmo: quais são os pensamentos, gostos e crenças dos entrevistados. Faz parte da nossa natureza tentar conhecer a vida de gente que amamos (ou odiamos – é bem verdade). Isso mexe com nossa curiosidade.

Confesso ser bem pouco chegado a entrevistas. Para mim, de maneira geral, principalmente, as concedidas por gente do xoubis, esses acontecimentos representam, apenas, manobras de… xoubis. Entrevistas com atores, diretores (novelas, filmes, teatro), músicos, dando explicações literárias, psicológicas e sociológicas sobre o trabalho realizado, não passam de um jeito de continuar atraindo a atenção do distinto público, visando a novos contratos. O objetivo é estar na berlinda, pois quem não é visto,… vocês conhecem o resto do ditado! E, claro, lembremos as explicações dadas por técnicos de futebol, na frente de painéis com o nome de todos os patrocinadores do jogo recém terminado. Nada muda com as palavras pronunciadas, sejam elas de um vencedor ou de um perdedor.

Pensem nos debates políticos antes das eleições – uma grande entrevista –, quando vemos os candidatos defendendo suas posições “intransigentemente”, esquecendo que, no sistema democrático, as ações têm de ser fruto de negociações entre as partes. Intransigência é típica de ditaduras.

Por fim, chegamos às entrevistas das quais todos fogem: o interrogatório policial e, pior, respostas a promotores e juízes num julgamento. Ninguém gosta muito de ser entrevistado nessas condições, mesmo quem vive procurando holofotes para expor suas “verdades”. Aliás, verdade é o que menos aparece em quaisquer entrevistas. Nelas os entrevistados tentam moldar a realidade à sua conveniência.

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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