Miscelânea
Esta postagem foi publicada em 4 de junho de 2021 e está arquivada em Miscelânea.

Sobre o amor, por Ana Maria Baldo

SOBRE O AMOR

Essa semana eu iria utilizar esta coluna para falar sobre preconceito velado. Aquela discriminação cotidiana que muitas vezes passa despercebida (por quem a pratica); aquelas atitudes do dia a dia que segregam ou excluem as pessoas. O preconceito velado é aquele que está presente nessas atitudes “banais” do nosso cotidiano e que discriminam (algumas vezes sem querer). Se questionadas, as pessoas responderão que elas não têm preconceito e não discriminam ninguém por ser ou viver deste ou daquele modo. Mas, na prática, as coisas são um pouquinho diferentes. Enfim, nesses pequenos fatos se esconde e se mostra o preconceito velado. Essas situações são comuns na vida de quem é da comunidade LGBTQIA+.

Mas aí eu pensei: não! E resolvi que não falarei sobre isso. Eu resolvi que falarei de amor!

Falarei de todas as formas de amor!

Porque, sinceramente, num mundo como o nosso, onde o acesso às informações é imenso, seguir praticando atos desse tipo e ser hipócrita para negar o preconceito ali existente e achar que é vitimismo de quem foi discriminado, nem merece meu digitar.

Então eu vou falar de amor. E vou falar do amor de verdade, não do amor submisso e estereotipado que vemos comumente na família tradicional (não estou criticando a família tradicional, que isso fique muito bemexplicado; minha crítica é àqueles que acreditam que esta seja a única forma “correta” de amar).

Eu li há algum tempo uma frase que dizia que o primeiro contato entre as pessoas é a energia e não a pele. Também li que as almas se reconhecem pela energia e não pela aparência. Li também que há pessoas que caminharam desde sempre para se (re)encontrarem. É, eu posso dizer que acredito nisso, que acredito que o amor é isso. Que o amor supera “barreiras” impostas por gente hipócrita que acha que pode decidir a quem devemos amar. E que o amor se sente e não se vê.

Lembrei agora que também li em algum momento que o jeito que você faz as pessoas se sentirem diz muito mais sobre amor do que qualquer corpinho bonito. Já li que quando você se apaixona pela personalidade e pela alma de alguém, não há físico que importe. Também li que tudo se resume à última pessoa em quem você pensa à noite, que é lá que está seu coração. Li ainda que devemos ficar no coração, porque qualquer outro lugar é longe de casa.

Fernando Pessoa dizia que “na alma ninguém manda, ela simplesmente fica onde se encanta”. Li também que as coisas boas da vida não são de ver, são de sentir. Li também algo que dizia que amar alguém não é questão de físico, é de sensações. O que transmitimos é que se torna nossa magia. Também li que você não conhece as pessoas por acidente, e que algumas delas nos provam que também existem os acidentes bonitos. Que a atração mental é muito mais forte que a física, porque de uma mente não nos livramos nem mesmo fechando os olhos. As mentes seduzem, a inteligência seduz, esses sim são locais a que nos sentimos instigados a conhecer, dominar, possuir. Ou então, que as almas que já se amaram em outras vidas se reencontram. E elas não vem em corpos sempre opostos.

Energia transborda, exala. Não há como esconder e não há como disfarçar. E não há como não sentir. Pessoas mentem, energia não.

Então, meus caros e caras, se isso é que é amor, porque o gênero de uma pessoa é empecilho para que ele floresça?

Se isso é que é amor, para que padrões, rótulos e gaiolas? Não se reprima, não se reprima!!! AME!!!

Por Ana Maria Baldo
Professora, de Taquara
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