
“Do meu cinicário” – Quando compartilha uma ideia, por mais verdadeira e honesta que lhe pareça, você se torna refém de quem a criou. Torna-se um adepto.
VIVA O ESPORTE
O importante é competir! Desde pequenos ouvimos esta frase ou outras de mesmo teor e, como costuma acontecer com os ideias introduzidas em nosso cérebro desde muito cedo, passamos a acreditar nas bobagens veiculada por elas. Deu para perceber que – talvez, com pouca humildade – tentei colocar-me num escaninho à parte, como se tivesse inventado a pólvora, quando classifiquei como “bobagem” a frase inicial do comentário. Porém, o mais interessante, nessa minha intenção de ficar à parte, é o monte de gente ocupando esse nicho: todo o mundo, exceto uns gatos pingados, numa vã tentativa de justificar suas derrotas em quaisquer disputas. Passando os anos, bem poucos continuam a acreditar nesses lemas fomentadores da concórdia universal. Resumindo, em uma disputa, o importante é vencer! E tem toda a lógica do mundo!
Feita a introdução, entramos no motivo real a ser tratado: a prática de um esporte, o futebol, durante a pandemia. Mais de uma vez abordei o tema e sempre de maneira desfavorável, usando o mesmo raciocínio invocado acima. Se um dos pilares do tal distanciamento social preconizado para dificultar a propagação do Coronavírus é o afastamento entre as pessoas (apelei para a ironia, usando a palavra “tal”), qual seria o método para garantir isso numa partida de futebol? Sem falar nas máscaras! Não! A saudade do futebol, como alardeava a propaganda na televisão, dando um toque carinhoso ao realmente pretendido, tentava tornar palatável uma ideia altamente indigesta, contrária às regras oficiais. Embora sem torcidas, haveria grandes aglomerações de jogadores, técnicos e seus auxiliares, pessoal médico, dirigentes, roupeiros, jornalistas, técnicos de imagem e som, segurança… Está bem, vou parar, mas vocês me entenderam. Foi uma iniciativa desonesta para a qual todos os parceiros de negócios – repito: negócios! – fecharam os olhos. Enquanto isso, na vida fora do paraíso, fantásticas “multidões” de até dez pessoas (puxa!), em alguma comemoração, davam trabalho à polícia. Essa gente não entendeu a palavra aglomeração!
Pois agora, uma das notícias mais importantes do momento nos diz que a TV Globo, felizmente, acordou e, num lampejo de sanidade, resolveu ir contra uma disputa de futebol, a Copa América! Fim para os ajuntamentos… Como, minha senhora? Não é nada disto? Eles estão, simplesmente, zangados porque não poderão transmitir o certame e, por isto, estão usando os mesmos argumentos empregados por mim, desde o início, contra esse tipo de iniciativa? É, apenas, mais um lance comercial?
E tanta gente acreditando neles! Vê se pode!
Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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