Fotos: Alan Júnior/Rádio Taquara
A equipe de policiais da Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA) se engajou na campanha ‘Ninguém na Rua’, realizada pela Prefeitura de Taquara, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Habitação. Além de colaborar com o movimento, através do acompanhamento de policiais durante as abordagens realizadas a pessoas em situação de rua, a equipe promoveu a arrecadação de roupas, cobertores, calçados, dentre outros utensílios, para doação. A entrega dos objetos arrecadados aconteceu na tarde desta quarta-feira (23), na sede do Albergue Municipal Adacir Ramos Garcia, na rua Matogrosso, 1718, bairro Santa Terezinha.
A responsável pela Delegacia de Polícia de Taquara, delegada Rosane de Oliveira Olivera, esteve no local, acompanhada das policiais civis Cleidi Mafalda e Ana Meri Matos Borges, para efetuar a entrega dos itens arrecadados. Segundo ela, o envolvimento da comunidade nessa campanha é de extrema importância.
“Estamos engajados nesse movimento para ajudar a conscientizar a população que deve colaborar com o albergue. É muito importante que a gente retire essas pessoas, que estão em situação de rua, e traga para um local onde elas possam ter um pouquinho de conforto. O pedido é para que a comunidade não dê esmolas, alimentos, travesseiros, colchões, cobertas, porque tudo isso está sendo oferecido no albergue. Somente assim conseguiremos reduzir a população de pedintes e pessoas em situação de rua em nossa cidade”, destacou Rosane.

O secretário de Desenvolvimento Social, Maurício de Souza Rosa, esteve presente durante a entrega das arrecadações e apresentou o local às policiais. Maurício contou como acontece a abordagem e o atendimento a pessoas que se encontram em situação de rua. “Depois que identificamos quem são, que levamos para o sistema de semi-internato, que eles aceitam aderir ao programa de desintoxicação, a partir do momento que estiverem aptos pelo CAPS, eles irão começar a fazer cursos de qualificação para serem reinseridos no mercado de trabalho. Então, é um tripé social que envolve assistência social, saúde e educação”, explica.
Conforme o secretário, a equipe interdisciplinar do albergue municipal conta com o trabalho de um psicólogo, uma zeladora, um cozinheiro e dois guardas. “O psicólogo faz o atendimento pela manhã acordando o pessoal, tomando café com eles e fazendo os encaminhamentos diários para cada caso. Esse atendimento ocorre nesse horário porque muitos desses indivíduos já não estão mais sob o efeito de álcool ou de drogas e se tornam mais suscetíveis para ouvir o profissional”, destaca Maurício.
De acordo com o secretário, no início do programa eram 44 pessoas em situação de rua. Destas, 20 foram encaminhadas para suas cidades de origem, para serem atendidas nos CAPS e CREAS de suas cidades; cinco para internações; 10 estão sendo monitorados no sistema de semi-internato – passam a noite no albergue, manhã e tarde vão para o CAPS e retornam ao albergue – e outras cinco pessoas estão sendo acompanhadas pelo CREAS, pois são pessoas que tiveram seus vínculos familiares rompidos, por alguma desavença, discórdia, álcool ou droga. Essas pessoas têm família na cidade e estão sendo monitoradas e estão em abrigamento provisório no local.
O albergue possui acomodações para 26 pessoas, sendo 16 para homens – que ficam em quartos localizados nos fundos do terreno – e 10 para mulheres e crianças, que ficam no interior da residência. No local, são oferecidos banho, jantar, cama para o repouso e café da manhã. Já o almoço e lanche da tarde são oferecidos no CAPS, somente para quem adere ao tratamento. O maior número de atendimentos em um único dia foi de 22 pessoas em situação de rua, pelas mais diversas situações. “Uma coisa que nós passamos a fazer é a integração do indivíduo aos trabalhos da casa. Como eles estão usando o serviço é importante que eles ajudem na limpeza e organização do local, o que cria o senso de limpeza do espaço deles. Às vezes funciona, às vezes não”, diz Maurício.
Em relação a esmolas, o secretário informa à comunidade que atualmente, existe uma política de atendimento às pessoas em situação de rua. “A população não precisa e não deve financiar a permanência desta pessoa na rua. Ao invés de dar gorjeta, esmola, cobertor, comida, para que ele permaneça na rua, procure as instituições do município e faça essas doações nesses locais. Ou seja, no CRAS, CREAS, Secretaria de Desenvolvimento Social ou mesmo no albergue, porque assim essas pessoas estarão sendo atendidas de forma correta e não precisarão mais permanecer na rua”, finaliza.







