
Criado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Habitação de Taquara, o programa “Ninguém na Rua”, desde a sua implantação, há cerca de um mês, já encaminhou vinte pessoas às suas cidades de origem, e seguem sendo acompanhadas pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) de cada município.
Realizado com o auxílio das secretarias de Saúde e de Educação, Cultura e Esportes, o projeto tem como objetivo acolher as pessoas em situação de rua, implementando uma rede de apoio que busca trabalhar políticas públicas que possam trazer mais independência a quem passa por esta situação.
De acordo com a prefeitura de Taquara, o atendimento acolheu, até o momento, 44 pessoas em situação de rua, onde apenas cinco não aderiram ao programa, mas seguem acompanhadas pelo Cras de Taquara.
Conforme a prefeita Sirlei Silveira, a iniciativa é uma das promessas de sua campanha, ao constatar que a população de rua aumentou consideravelmente nos últimos anos no município.
“É um problema social escancarado em nossa sociedade. Não podemos tapar os olhos e fingir que não estamos vendo estas pessoas. Elas têm história e precisam ter a oportunidade de retomar suas vidas, de reencontrar suas famílias, de se recolocar no mercado de trabalho e resgatar a dignidade”, enfatizou a prefeita de Taquara.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Social, Maurício Souza da Rosa, a partir da abordagem do programa foi possível encaminhar cinco pessoas para internações, a fim de tratar seus vícios com álcool ou drogas.
“Atualmente, dez pessoas estão sendo acompanhadas e fazem o tratamento intensivo junto do Caps/AD e outras quatro estão sendo acompanhadas pelo Creas. Infelizmente, cinco moradores de rua seguem monitorados a distância, pois não aderiram ao projeto”, revela Maurício.
Fases diferentes
O Programa Ninguém na Rua tem três fases. A primeira “Identificação, prospecção e acolhimento”, realizada pela secretaria de Desenvolvimento Social; a segunda “Acompanhamento e tratamento”, feita em parceria com a secretaria de Saúde, e a terceira “Qualificação e reinserção ao mercado de trabalho”, que contará com o apoio da secretaria de Educação e com a Rede Cidadã Empreendedora, que está em formação para ajudar na captação de vagas de empregos na cidade e região.
Assistência social e psicológica no acolhimento
O Serviço Especializado em Abordagem Social em Taquara é composto por uma equipe técnica, normalmente formada por um assistente social e um psicólogo, que vão até o local para identificar a necessidade, estabelecendo vínculos de confiança e pensar, junto com a pessoa em situação de rua, em alternativas e possibilidade de ajuda, bem como o acesso à rede de serviços assistenciais.
“Nesse processo de convencimento, busca-se respeitar o seu querer, suas escolhas, e quando possível, o resgate dos vínculos familiares”, menciona o assistente social, Rivelino Ubirajara Portes Ribeiro.
Segundo relata Ribeiro, o Programa Ninguém na Rua proporciona o acolhimento não apenas com o propósito da albergagem, mas com vista a superação da condição, contribuindo no processo de autonomia e organização pessoal.
“Muitas histórias de vidas foram marcadas pelo rompimento ou afastamento dos vínculos familiares, perda de emprego, comprometimentos em saúde mental, conflitos familiares, uso abusivo de álcool e outras drogas. Em muitas abordagens vêm à tona os conflitos familiares, a culpabilização da família por estarem nesta situação e a culpa que carregam os fazem refém das ruas. O programa vem contribuir tanto para a pessoa em situação de rua como para a sua família”, observa o assistente social.
O acolhimento no albergue e no Caps-AD
Quando as pessoas em situação de rua chegam no Albergue Municipal recebem o acolhimento do psicólogo Joni Jairo Pacheco Ferreira.
“Muitas histórias são parecidas, são famílias desestruturadas, sem vínculo afetivo. E quando um indivíduo se torna uma pessoa em situação de rua, ele perde tudo, até a dignidade, tentamos então fazer com que ele seja capaz de sair dessa situação, buscar a autoestima que já não existe mais, perceber e refletir sobre o quanto é bom ter uma família, um lugar para onde voltar depois do trabalho e como o trabalho é parte fundamental nesse processo. Muitos estão na rua há muito tempo, alguns já perderam o vínculo familiar, dizem que a rua é sua casa, se sentem bem e gostam de estar na rua”, comenta.
Para o psicólogo, o Programa Ninguém na Rua é de suma importância não somente para os moradores de rua, mas para toda a sociedade.
“Enquanto há pessoas dormindo pelas ruas, pelas praças, pelas calçadas, toda uma sociedade sofre. O Ninguém na Rua veio para mudar aos poucos esta situação, é um trabalho de formiguinha, conseguimos uma vitória hoje e amanhã talvez não, muitos que estavam irredutíveis agora já estão acessando o serviço. E aderir ao serviço não é só ir no albergue dormir, jantar e tomar café da manhã, mas aderir a toda a rede para um tratamento eficaz e digno”, afirma Ferreira.
No Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps-AD) as pessoas que estão em situação de rua também recebem o acolhimento de técnicos que avaliam o modelo de tratamento caso a caso, não apenas no que tange ao transtorno do uso de substâncias, mas das demais comorbidades e questões clínicas.
“Estes pacientes geralmente fazem o tratamento intensivo em turno integral durante a semana, participando de oficinas, atendimento psicológico, clínico, psiquiátrico e de assistência social”, ressalta o coordenador do Caps-AD, psicólogo Márcio Eugênio Friedrich.
O Programa Ninguém na Rua, como menciona Friedrich, é muito importante devido à alta complexidade das necessidades dos pacientes.
“O programa possibilita ações desde a retirada da rua, incluindo o albergue e o Caps-AD para tratamento, e a volta ao mercado de trabalho destes pacientes”, reitera.
Albergue precisa de doações
O Albergue Municipal Adacir Ramos Garcia fica na rua Mato Grosso, 1817, no bairro Santa Teresinha, onde são desenvolvidas atividades de conscientização em relação ao uso de drogas, assim como atividades de ressocialização, além de proporcionar o recomeço para pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Quem quiser ajudar, o albergue necessita de roupas e calçados masculinos, bem como cobertores, edredons, travesseiros e roupas de cama.
Informações sobre os serviços oferecidos podem ser contatadas pelos telefones (51) 3541-4184 ou 3542-5089.




