
Do “Meu cinicário” – Livros pró-comunismo, normalmente, são escritos por sonhadores apaixonados! Livros contra o comunismo também, depois de abrirem os olhos.
MANUAL DO HIPÓCRITA
Shakespeare, o genial dramaturgo e poeta inglês (1564 – 1616), escreveu, na peça “Muito barulho por nada” (olhe a ironia: uma comédia), a seguinte frase – que, a meu ver, se tornou um marco no comportamento antropológico: “Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente”. Para mim, nisso se baseia grande parte das ações humanas. Tudo o que fazemos, passa, antes, pelo crivo pessoal da dor, mesmo não se tratando de dor física; pode ser financeira, social, psicológica. Automaticamente, julgamos cada uma das nossas prováveis ações por um dorímetro (acabei de inventar a palavra, mas é lógica, não?). Se concluirmos que vamos sentir dor, passamos adiante sem aplicar nossos planos. Se vamos causar dor em outro… bem, o problema é de quem vai senti-la. Que se trate!
Feito este preâmbulo, vamos à hipocrisia propriamente dita. Por definição, é o caráter daquilo carente de sinceridade, porém executado com todo o aparato de verdade. Continuando com o estabelecimento de um manual anti-hipócrita – vejam só a pretensão! – esse, o manual, terá só uma regra. Essa regra é tal qual o Rei Momo: primeira e única! Neste momento, deve haver centenas, melhor, milhares, melhor ainda, milhões de hipócritas, contrariando o manual. Você, pesquisador, dê uma passada por conhecidas “histórias de amor” – claro, podem ser, até, as pessoais, mas não necessariamente; afinal, estamos falando de “hipócritas” e, segundo Shakespeare, você nunca provocou dores assim, não é? – e verá quantos de seus conhecidos ou relacionados, causaram ou sofreram rejeição, decepção, bullying. Essas histórias são, apenas, uma trágica narrativa de hipocrisia. Deixaram rastros da ação de algum hipócrita e do sofrimento de suas vítimas, podendo ser uma pessoa, uma prole (neste ponto, muito mais terrível), um grupo inteiro ou, quiçá, uma nação. Tudo porque, seu causador ignorou a dor infligida. Nem pensou nela. Seus objetivos foram alcançados mediante mentiras, indignidades ou, simplesmente, desinteresse pelo mal causado, visando a uma recompensa.
Como dito acima, quem sofre, a vítima, vá procurar tratamento! Entretanto, ao hipócrita, quando apanhado, resta um poderoso argumento para salvar-se das execrações e punições públicas, legais e morais: negar, negar sempre. Por incrível que pareça, há possibilidade de convencer suas vítimas e obter perdão ou, então, granjear a simpatia e apoio de outros hipócritas. Nesse caso, muitos adorarão a chance de, eles também, participarem, juntos, de algum butim. O final é conhecido, popularmente, como “acabar em pizza”. Uma verdadeira bacanal de hipocrisia!
Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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