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Esta postagem foi publicada em 7 de maio de 2010 e está arquivada em Colunas, Penso, logo insisto.

Jornal

plinioDo “Meu livro de citações” – Greve de fome sempre atinge um objetivo: o sujeito emagrece.

JORNAL

Jornal é joia. Dito assim, até pareço um jovem falando. Não que jovens não usem outro tipo de linguagem ou que velhos (eu prefiro “jovens há mais tempo”, mas tá difícil emplacar esta!) não possam arriscar-se num jargão mais atual. Minha intenção é elogiar a mídia jornal e, por extensão, as revistas e livros.
Do ponto de vista dos consumidores, existe uma guerrinha amistosa entre quem gosta da mídia gráfica e quem gosta da mídia televisiva. Do lado de quem explora uma ou outra, entretanto, não é tão pacífico, pois aí entra a briga pelo faturamento das empresas e nesse aspecto não estou metendo o meu bedelho (pelo menos, por enquanto). Gosto mais da mídia impressa!
Embora menos troante e, consequentemente, menos valioso no mercado publicitário, quando a rápida divulgação de uma mensagem tem precedência sobre outros aspectos, o jornal confere mais credibilidade a essa mensagem. Para citar um exemplo concreto, há situações nas quais os vivos parecem querer escrever para seus entes queridos falecidos, como se esses realmente pudessem tomar conhecimento dos conteúdos; são mensagens com emissores e receptores bem definidos. Basta ler alguns anúncios fúnebres para constatar essa minha afirmação. Da mesma maneira, tais anúncios não são veiculados em revistas nem em emissoras de rádio nem em televisões, embora não haja qualquer impeditivo legal para isso. O jornal é o veículo escolhido.
Entre as suas grandes qualidades, vejo na mídia gráfica a perenidade, se pode haver alguma coisa perene nesta vida. Foi publicado, em algum lugar, ao alcance de alguém, fica guardado. As imagens eletrônicas também ficam armazenadas, mas as mídias utilizadas (fitas, cassetes, cedês, filmes) se deterioram mais rapidamente, reduzindo as chances de uma recuperação, além de exigirem interfaces mais complexas. O jornal (e a revista, e o livro) apenas exige alguém alfabetizado para atingir seu objetivo.
Estas digressões, faço-as embalado pela leitura da carta para a Caixa Postal 59, aqui do Panorama, na semana passada. Eram palavras zangadas, extravasando muita indignação. Foi bem escrita e me cativou. Evidentemente, só esse fato não me daria voz para o comentário. Porém, como a missivista disse que escrevia para os que não a conheciam, senti-me convidado a interferir, pois sou um dos desconhecidos.
O que chamou minha atenção para a carta, além do bom texto, foi um fato que justifica a perenidade dos jornais por mim referida acima. Lembrei-me de outra correspondência do mesmo teor, aparecida no Correio do Povo, originalmente em 6/4/1910, e republicada em 6/4/2010, na página 16 (Academia de Letras – quem quiser compará-las, entre nos sítios dos jornais citados). Também foi bem escrita e, devido à perenidade, pude lê-la um século depois. Nos dois casos, os autores diziam, explícita ou implicitamente, não quererem publicidade. Mas, posso afirmar, conseguiram. Os jornais servem para isso.
Não posso, obviamente, fazer contato com o autor de 1910, ainda que utilizando o jornal, mas não vou perder a oportunidade da Caixa Postal 59. Por isto, aceito o convite, mesmo não sendo pessoalmente. Por favor, escreva-me e conte o que aconteceu. Estou morrendo de curiosidade!

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