Do “Meu livro de citações” – Nem tudo que deixa cicatrizes é ruim. As vacinas, por exemplo!
A SELEÇÃO
Farei como todo o mundo está fazendo nestes últimos dias: também vou falar da seleção. Acho até que deveria escrever A S-E-L-E-Ç-Ã-O, assim, com um destaque especial. Afinal, trata-se d’A SELEÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL. Por outro lado, reconheço não ser muito categorizado para tratar desse esporte. E, a bem da verdade, de nenhum outro. Sou um cara completamente aesportivo, pelo menos, no seu viés televisivo, de espetáculo.
Houve um tempo, há muitos anos, em que tentei praticar alguma atividade física mais organizada, mas os resultados foram – como posso dizer? – abaixo do sofrível. Ginástica olímpica, natação, maratona, futebol, todos eles sempre desembocaram em decepções. Além de talento natural para qualquer um deles, faltou-me, também, persistência. Jamais lastimei essa situação, porém. Eu e o esporte em geral somos apenas bons amigos, é cada um para seu lado.
Feita essa colocação, defronto-me com a festiva atualidade. A seleç… perdão, A S-E-L-E-Ç-Ã-O, foi convocada e os famosos “190 milhões de técnicos” brasileiros puseram-se em ação, prontos para mostrar ao mundo o quanto nós entendemos do vigoroso esporte bretão. E é aqui que eu entro, apesar da minha confessa ignorância na matéria.
Não compreendo todo o alvoroço pela não chamada de Neymar e Ganso. Os que vão no suposto lugar deles não são bons jogadores? O Victor, do Grêmio, um grande goleiro, não vai à África e, por isso, ficou muito zangado. Com que direito? Ronaldinho Gaúcho, vejam só!, atreveu-se a aconselhar o Dunga a olhar os teipes de suas últimas atuações para ver como fora errado não convocá-lo.
Ora, ora! Existem, no país, quase tantos jogadores quanto técnicos. Fica muito difícil acertar o gosto e a expectativa de todos, ainda mais que nessa panela entram bairrismos, amores clubísticos e interesses financeiros não muito esportivos.
Nas últimas 14 convocações, a partir de 1958, desde quando me dei conta desse acontecimento, mais pelo barulho feito em torno dele do que propriamente por interesse no assunto, jamais soube de ter havido algum consenso a respeito da lista.
Os argumentos são interessantes. Um determinado jornalista, simpaticamente, não criticou os nomes escolhidos pelo treinador. Pelo contrário, deu força! Mas alertou que, apesar de podermos contar com uma equipe combativa, candidata à taça, o futebol-arte, certamente, sairia diminuído do campeonato. Ou seja, criticou.
Então, tá! A seleção brasileira vai à África praticar o futebol-arte. São uns artistas mesmo. E bem pagos. A nós, plateia, só nos resta ver aquele bando, com total desprezo pelas probabilidades, atrasando perigosamente a bola e jogando no nosso campo em vez de ir contra a meta adversária.


