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Esta postagem foi publicada em 21 de maio de 2010 e está arquivada em Colunas, Haiml & etc..

A magia da vida

William Blake, antigo poeta irlandês, disse em um de seus poemas: “Tigre, tigre, quem desenhou teus tão belos traços?” Essa frase me volta agora que tenho a chance de ver, ao vivo, desde seu quase início, a evolução de uma vida humana.
Embora já tenha lido e visto documentários sobre o assunto, os pormenores e detalhes da parte técnica se confundem, mas não quero mesmo aqui ser científico, pois a ciência não tira a magia contida na formação de uma vida.
O fato de um espermatozoide correr para se juntar a um óvulo, que já está num momento de espera, já é algo por si só incrível, da carochinha, e isso fica mais louco ainda quando, juntos, iniciam um processo contínuo-organizado que visa a gerar e evoluir para um ser humano completo.
Tudo vai em tempo certo. Num fascinante desenrolar, a arquitetura de uma vida vai se construindo sabiamente, tudo se conectando e procurando estar o mais perfeitamente possível no devido lugar. E quem comanda isso? Quem começa isso, antes do óvulo, do espermatozoide? Quem cria, corta e remonta tão detalhado quebra-cabeça?
Células se encontram, se fundem, tecidos e pele cobrem ossos que se enrijecem, artérias e veias se conectam, líquidos diversos circulam por áreas especificas, órgãos vários surgem, e tudo pulsa, um corpo se forma, dedinhos se distinguem, cabelinhos despontam, outros detalhes se esculpem, e o ser então deixa o útero: tão sólido e tão tênue, tão parecido com um anjo.
Que força faz emergir um ser do nada, enquanto outra (serão uma só?) lhe sopra vida,  mantém acesa a chama da animação, aumenta-a, movimenta-a? Olhinhos se abrem para vários mundos, sensações surgem, expressões gestuais, sons – lindos e longos balbucios de satisfação, nervosos gritares de fome, de alguma dorzinha, inquietude – que se estenderão em palavras, se tecerão em pensamentos.
O caldeirão fervilha e, mesmo com tantos ingredientes na mistura, tudo em seu devido momento vai se separando, procurando ir certinho ao seu lugar, encontrando direitinho sua função. Que misto de cientista, engenheiro, arquiteto e poeta planeja, executa e dá realidade à maravilhosa máquina humana? Quem faz a mágica que tece o caminho de um de nós pelo tempo?
E és tu, mulher, que tens a honra de compartilhar parte maior de tão fantástico experimento; por isso, não és a Eva condenada às dores do parto, mas, sim, a representação mais direta que temos da  Divindade.

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