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Esta postagem foi publicada em 4 de junho de 2010 e está arquivada em Colunas, Penso, logo insisto.

Burocracia

plinioDo “Meu livro de citações”- O homem tinha tal ojeriza a cerimônias que tomou uma decisão drástica: negou-se a ir ao seu velório.

BUROCRACIA

Um dos meus grandes medos são os liames burocráticos de qualquer coisa. Burocracia não diz respeito só ao serviço público, como pode parecer à primeira vista. Em qualquer lugar esse monstro está a nossa espreita. Imagino-os, os liames, como um polvo enredando sua vítima com mil tentáculos (sim, eu sei, o polvo só tem oito, mas hoje estou especialmente hiperbólico!), não lhe dando qualquer chance de defesa. Uma vez o cidadão estando preso por eles, não há chance de escapar.
Vira e mexe toco nisto aqui na coluna. Não é falta de assunto, não. É que tudo me parece estar sob o foco de um Big Brother maldoso. Ele sempre nos cria situações, no mínimo, constrangedoras. Digo “no mínimo” para tornar o assunto mais palatável. Qualquer um de nós sabe que as consequências da burocracia podem ir do ridículo ao trágico num piscar de olhos.
Ainda hoje sou interpelado por amigos penalizados com a minha situação baiana, vivida em fevereiro do ano passado, durante a gandaia momística, quando fui multado em Feira de Santana por estar ocupando, com meu carro, uma vaga destinada a pessoas com deficiência de locomoção. Entre risos me perguntam se desta vez eu havia respeitado a sinalização do trânsito. Engraçadinhos! Fui punido por sentir tanto desgosto pelo Carnaval. O Irmãozão me viu tranquila e honestamente trabalhando em Parobé e, só de birra, me mostrou como funciona a sua grande criação, a burocracia: recebi uma telemulta. Eu que tenho simpatia pelo ensino a distância, ironicamente recebi multa a distância por uma infração. Neste ano, pensava ter sido perdoado, pois nada aconteceu.
Bem, dizer que nada aconteceu é força de expressão. É quase impossível viver sem pagar algum mico. A burocracia nos apanha sempre! O meu, agora, envolve meu sexo. Por uma dessas estrepolias típicas dos bureaux (“escrivaninha” em francês; daí “burocracia”, o governo das escrivaninhas) fui apanhado. Alguém avoado, dentro da empresa administradora do Seguro Total Protection, ligada ao cartão de crédito American Express, embestou que o nome Plínio é feminino e passou a me tratar como mulher. Minhas correspondências e o Certificado de Seguro vêm epigrafados como se eu fora uma associada do dito cartão. Epa!
Está bem, vá lá, alguns nomes têm esta característica, a de serem utilizados tanto por homens como por mulheres. Mas, Plínio?! Esta é nova para mim. Mesmo havendo a possibilidade, qual seria, então, a utilidade dos cadastros se não para dirimir as dúvidas? Em todos eles deve-se informar a que sexo pertencemos. Não sei, mas acho que é mais uma do Irmãozão. Ele está me perseguindo.
Resta um consolo. Pelo menos, esses burocratas trapalhões são muito educados. Têm-me tratado, gentilmente, por “Prezada Senhora”. Gente finíssima!

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