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Aumento nos casos de incêndio em vegetação preocupa o Corpo de Bombeiros de Taquara

Recordistas em número de incêndios em mato são os distritos de Fazenda Fialho e Pega Fogo
Região de Pega Fogo Alto é uma das recordistas de incêndios em mato
Foto: Cleusa Silva (arquivo)

Preocupado com o grande número de ocorrências de incêndio em vegetação, somente neste mês já foram atendidas 15, o comandante do Corpo de Bombeiros Militar de Taquara, tenente Waldemar David Pereira Dias, faz um alerta sobre a prática de queimadas como forma de limpeza dos terrenos.

Conforme o comandante dos bombeiros de Taquara, ao contrário do que muitas pessoas pensam, os incêndios em mato não são causados somente por produtores rurais, que se utilizam da técnica de roçar e depois queimar a vegetação, preparando a terra para o plantio.

“Os colonos, que produzem e necessitam da terra, cuidam bem mais ao realizar a técnica de queimadas, fazendo aceiros, que são áreas de vegetação raspada para isolar o fogo e evitar que ele se espalhe. Já nas pequenas propriedades, em sítios geralmente utilizados nos finais de semana, os proprietários não tomam as devidas medidas de prevenção e por isso o alto número de ocorrências neste período de estiagem”, relata tenente Dias.

Segundo estudo de caso feito pelo Corpo de Bombeiros de Taquara, os recordistas em número de incêndios em mato são os distritos de Fazenda Fialho e Pega Fogo, principalmente as localidades de Pega Fogo Alto, Morro Pelado, Morro Negro, Santa Cruz da Concórdia e arredores, justamente por serem regiões onde se concentram muitos sítios e pequenas propriedades.

“Nas regiões de Padilha, Ilha Nova, Passo da Ilha, Itagiba, Olhos D’Água, Rio da Ilha, Vila Tereza, Alto Tucanos e Alto Santa Rosa esse tipo de atendimento é praticamente inexistente”, explica o comandante dos bombeiros de Taquara.

Fotos: Corpo de Bombeiros de Taquara

Outro dado preocupante para os bombeiros é que, enquanto combatem as chamas em vegetações distantes, podem ocorrer sinistros na região urbana. Como foi o caso de um princípio de incêndio, ocorrido em uma madeireira de Taquara, no final da tarde de domingo (26).

“Por volta de 18h, no momento em que a guarnição de serviço atendia uma queimada na região de Fazenda Fialho, houve um princípio de incêndio numa madeireira do município. Por sorte, os próprios funcionários conseguiram conter o fogo até a chegada do caminhão, que estava a cerca de 30 km do local”, observa tenente Dias.

O perigo das chamas se alastrarem para dentro da vegetação é ainda maior nesta época do ano, em razão da estiagem das chuvas. Entre dezembro de 2019 a março deste ano, por exemplo, as ocorrências de incêndio em vegetação passaram de 100 atendimentos por mês.

“Nos períodos de estiagem as pessoas devem redobrar seus cuidados ao colocar fogo em vegetação, pois é muito mais difícil manter o controle da área queimada. Sem contar que colocar fogo em mato é crime ambiental, previsto em lei. Além disso, para prevenir as queimadas, os moradores do interior devem manter os terrenos em volta de suas casas sempre limpo, realizando capina com uma margem grande. E, se for grama, manter sempre bem cortada”, alerta o comandante do Corpo de Bombeiros de Taquara.

Além de ser perigoso, o processo de colocar fogo em mato também é considerado crime ambiental, segundo a Lei Federal Nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que “dispõe sobre as sanções penais e administrativas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências.”