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Esta postagem foi publicada em 4 de fevereiro de 2022 e está arquivada em Informática.

Hiperautomação e o que 2022 pode trazer para o mercado de trabalho, por Guilherme da Costa

Hiperautomação e o que 2022 pode trazer para o mercado de trabalho

No início dos anos 2000, quando começou o boom da internet, era comum que muitos achassem que os empregos aos poucos migrariam para a rede e para a computação de forma geral. Lembro da mídia e até mesmo alguns professores falando sobre como o mercado de tecnologia da informação era seguro afinal, nenhuma máquina pode automatizar soluções de problemas através de técnicas computacionais certo? Errado.

Nos últimos anos o termo hiperautomação tem aparecido com frequência em listas de grandes novidades tecnológicas, no entanto, nunca teve grande avanço no mercado devido a várias questões relacionadas a sua implantação.

Antes de tudo hiperautomação ou Hyperautomation no original, é uma suposta integração entre vários conceitos de tecnologia da informação, como machine learning, automação robótica de processos e ferramentas de baixo ou sem codificação. Essa integração tem um objetivo simples: substituir humanos que fazem trabalhos que envolvem computadores de forma repetitiva. No momento, o grande foco da hiperautomação é em processos repetitivos que envolvem estoques de produtos, logística e gestão de pedidos. A mais próxima do usuário final talvez seja a gestão de produtos, já que é possível observar seu funcionamento a alguns anos através das compras de grandes varejistas. Basta lembrar daquela compra que foi realizada e de tempos em tempos você recebia um e-mail falando aonde estava a sua encomenda. Mesmo quando já tinha saído da loja e estava nos correios ou transportadora. Antigamente, toda a informação era obtida através do site da transportadora ou dos correios. Agora essa informação é verificação pelo sistema da loja, que atualiza o cliente de cada atualização com um e-mail automático.

O mais interessante é que esse processo de automação simples dá margem para o desenvolvimento de vários sistemas baseados em dados externos, que podem ser obtidos com facilidade e moldados da forma que for necessária.

Como cometei, tecnologias de baixo ou nenhum código são uma tendência forte na tecnologia da informação, isso porque simplifica a produção de pequenas soluções para problemas cotidianos sem a necessidade de um treinamento longo de uma tecnologia de desenvolvimento de sistemas. Em 2022, a tendência é que sistemas de hiperautomatização possam realizar tarefas pequenas relacionadas a criações baseadas em código, por exemplo, criando relatórios, questionários e pequenas aplicações para entrada de dados de clientes. Isso já ocorre em alguns pontos da internet, no Youtube por exemplo, pode ocorrer do usuário cair em uma tela de questões sobre um produto (que muitas vezes não tem nada a ver com o que o usuário está assistindo) para realizar uma pequena pesquisa de opinião. Em um caso recente, após comprar um presente de Natal, recebi um questionário que envolvia dois produtos, de tipos totalmente diferentes (livro e um eletrodoméstico) de forma bem curiosa. A pesquisa foi criada automaticamente por um sistema de CRM (um sistema de relacionamento com o cliente, é bem comum em grandes varejos), que até então sempre apresentavam pesquisas padronizadas e que depois de um tempo, o usuário cansava de responder e marcava a primeira opção em todas as questões. Não será em 2022 que a hiperautomatização substituirá os programadores de computadores, mas estamos em um momento de rever a produção de software e definir o que é interessante para humanos programarem e o que é interessante deixar para sistemas produzirem. Afinal, muito do que deve ser produzido pela hiperautomatização é trabalho repetitivo e sem grande recompensa financeira ou intelectual para o programador, parece justo que a parte chata do trabalho seja deixada para uma máquina. Afinal, programação de computadores é considerada uma das profissões mais desgastantes psicologicamente, muitas vezes acompanhada de várias horas extra para o fechamento de um produto. Nada melhor que um pouco de paz para quem já trabalha muito.

Por Guilherme Schirmer da Costa
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