Queria ter escrito este texto em março passado, pois a data teria sido mais apropriada, mas, por alguma razão, acabou não sendo possível. De qualquer forma, como é sobre algo que aconteceu há exatos dez anos, considero ainda bastante oportuno fazê-lo agora.
Era 1º de março de 2000, uma quarta-feira. Como é de praxe nesse dia da semana, eu e alguns colegas do Panorama estávamos empenhados no fechamento de mais uma edição do jornal, o que sempre nos envolve no trabalho noite adentro. É uma tarefa que ocupa boa parte da equipe, principalmente do jornalismo, razão pela qual se torna um tanto complicado para nós fazer alguma cobertura externa num horário que requer concentração de esforços dentro da própria redação.
Não era diferente naquela data em que a maioria dos educandários dava a largada ao ano letivo. Os dias anteriores haviam sido de grande umidade e, pelo que me consta, ainda caíam alguns pingos de chuva no começo daquela noite. Mesmo assoberbado com o fechamento da edição, achei por bem conferir pessoalmente um acontecimento que, sabia por antecipação, seria muito importante para Taquara e região. Depois de uma longa espera, abririam-se finalmente os portões do novo campus da Faccat.
Para mim, além do sentido jornalístico, a relevância daquele acontecimento se reforçava pelo fato de pertencer à faculdade como acadêmico, já havia vários anos, do Curso de Administração. Até então, nossas aulas tinham sido quase todas no Colégio Santa Teresinha, onde a Faccat estava instalada desde a década de 70, mas também passáramos por alguns outros espaços ocupados pela instituição, como o terceiro andar do prédio do Banco do Brasil, onde até hoje funciona o Centro de Extensão Comunitária, e a escola Dorothea Schäfke.
Havia, portanto, uma grande expectativa sobre como seria esse espaço construído pela faculdade taquarense, suas configurações e dimensões, posto que havia sido finalizado durante o período de férias, quando a maioria das pessoas se encontrava fora da cidade.
Lembro que, por volta das 19 horas, peguei o carro do jornal e fui até o campus, na intenção de dar uma rápida olhada naquele lugar que começava a ganhar vida, como gosta de dizer o diretor da Faccat, Delmar Backes, na intenção de valorizar a presença das pessoas nos ambientes.
Como havia chovido, a chegada foi um pouco difícil, pois as vias de acesso estavam embarradas, como a Fredolino Freiberger, hoje calçada, e a própria entrada pela ERS-115, que agora finalmente deverá ser asfaltada. Além disso, a grande maioria dos alunos mal sabia para que lado ficava o novo complexo universitário, instalado numa zona de Taquara até então pouco conhecida dos próprios moradores da cidade.
Um ponto de interrogação parecia estar escrito nos semblantes de todos que cruzavam aqueles portões pela primeira vez. Ainda recordo que o próprio diretor, acompanhado de funcionários e professores, estava ali a postos, recebendo os alunos e passando orientações para que pudessem se localizar dentro do novo ambiente de estudos. E o que era dúvida e curiosidade imediatamente deu lugar ao contentamento e à emoção, assim que os grupos de alunos começaram a subir rampas e escadarias e ganharam os corredores (foto) e salas de aula, onde tudo cheirava a novo, como sempre haviam sonhado.
Não tive tempo de ficar mais do que alguns minutos por ali, pois o trabalho na redação me chamava, mas saí com a forte impressão de que acabara de presenciar um momento histórico. E com a certeza de que lá voltaria muitas outras vezes.
Como acadêmico, tive o prazer de eu mesmo cursar ali as últimas disciplinas da graduação, que concluí em 2001. E até hoje continuo indo lá habitualmente, como funcionário da casa que também sou.
Dez anos se passaram, tempo suficiente para me mostrar que a percepção da primeira vez estava correta. Naquele 1º de março de 2000 um novo capítulo da história de Taquara e região começava a ser escrito, dividindo-a entre o antes e depois do campus da Faccat.
Alvaro Bourscheidt
Esta postagem foi publicada em 11 de junho de 2010 e está arquivada em Colunas.


