Do “Meu livro de citações: Não procure os defeitos de alguém. Encontre-lhe as qualidades. Dê um bom destino a sua inveja.
DOES THE QUEEN OF ENGLAND FART?
Estive lendo uma reportagem sobre os ditos palavrões, as palavras proibidas, num exemplar antigo da revista Superinteressante, da Editora Abril.
Nela somos informados que foi mapeada, no cérebro humano, uma região onde se localiza a produção das escabrosidades. É a área mais primitiva de nossa central de comando e tem o nome de “sistema límbico”. A necessidade incontrolável de imprecar é uma das ocorrências possíveis dentro de um distúrbio neurológico, a síndrome de Tourette, e conhecida por coprolalia (discurso de fezes).
Quem sofre de coprolalia não consegue se conter. É, praticamente, um programa de computador a ser executado, fazendo jorrar uma catadupa de palavras consideradas obscenas, nada a ver com técnicos e jogadores de futebol. O distúrbio é tão intenso que atinge, inclusive, surdos. Se não há o som da fala como entendemos tradicionalmente, há os gestos. O fato é que existe a coprolalia. Mas nem todo aquele que fala palavrões sofre da tal síndrome. O caso dela é intensidade.
Considero os palavrões apenas manifestações lingüísticas que, por alguma razão muito metafísica, longe da minha chã compreensão, receberam o rótulo de palavras proibidas de serem pronunciadas em situações formais. Notem, aqui não se questiona se a palavra está sendo usada ofensivamente ou, espantem-se, carinhosamente. Qualquer termo usado com ódio pode ser mais preocupante do que um palavrão costumeiro empregado amistosamente. Vocês sabem, isso é possível. Até mamães, falando amorosamente com seus rebentos, utilizam termos teoricamente obscenos.
O que seria da martelada no dedo, se não mais pudéssemos expressar nossa dor ou raiva um pouco mais rudemente, com mais consistência? Eu, independente do alívio na dor, por interesses acadêmicos, tenho prestado muita atenção ao infantil nome feio em suas aparições públicas. E nada mais público do que o jornal, a revista, a televisão, o livro (inclusive o didático). Pois a quantidade de palavrões usada nesses meios é bem grande. Acho isso um progresso. Assim pararemos com a atitude hipócrita de rotular as palavras, classificando-as como as dignas de serem faladas e as que não são. A fala é o grande dom da humanidade e, graças a ela, conseguimos manter o contato com os outros. Seria bom tratar mais livremente de assuntos tão relevantes para a humanidade como o deste tratado sem precisar do subterfúgio empregado no título. Mas a coisa está melhorando e ainda teremos mais liberdade. Esperem e verão.
A propósito, a resposta à pergunta lá de cima é sim.


