Creio serem muitos os itens levados em conta para determinar a qualidade de vida de um povo. Aqui em Taquara, por exemplo, temos muitos fatores que influenciam positivamente nosso modo de viver. Dentre alguns, que considero importantes, citaria o fato de que moramos numa cidade calma, sem poluição atmosférica; possuímos uma rede de comércio bem suprida; contamos com ótimos estabelecimentos educacionais; estamos próximos da capital, do litoral e de várias cidades turísticas; temos belos prédios antigos e, principalmente, somos um povo muito paciente.
Evidentemente, também temos alguns itens desfavoráveis, que, apesar de causarem algum desconforto, independem da nossa vontade. Entre esses, um clima bastante úmido e quente; algumas áreas sujeitas a alagamentos e ruas estreitas e antigas.
Entretanto, fazendo um rápido balanço desses fatos, arriscaria dizer que somos uma comunidade afortunada. Mas poderíamos ser mais felizes? Certamente que sim. E com muito pouco, além disso de que já dispomos.
Se nossa rua central, a “Rua Grande”, tivesse suas calçadas padronizadas e uma arborização adequada, já teríamos um imenso aprimoramento visual. Uma medida que causaria um transtorno, de início, passageiro, mas que poderia ser implementada aos poucos e não custaria muito, se contasse com a colaboração do comércio local e algum incentivo do poder público. A mão de obra, por exemplo, poderia ser fornecida pela Prefeitura.
Outro ponto que me aborrece profundamente são as nossas praças. Desconheço qualquer cidade próxima ou não que tenha suas praças no estado de abandono em que se encontram as nossas. E, nesse caso, também, não há necessidade de grandes investimentos. Particularmente, já não espero grandes reformulações paisagísticas no que existe. Bastaria, a meu ver, uma boa limpeza geral; conserto e pintura de bancos e equipamentos; plantio de gramados e flores; mais árvores; organização dos passeios e alguma iluminação.
Para auxiliar nesses custos, tenho absoluta certeza de que nosso comércio e serviços adotariam, com prazer, um banco ou um canteiro de flores, em troca de uma propaganda discreta no local.
Ainda, dentro dos itens positivos, Taquara conta com um grupo de cidadãos preocupado com a preservação de nosso belo e quase extinto patrimônio arquitetônico. Uma luta desigual que, apesar do esforço despendido, está perdendo terreno para a “ganância imobiliária”. Dessa forma, persistindo o ritmo atual de demolições e descaracterizações de nossos prédios históricos, sobrarão apenas lembranças fotográficas para mostrar aos nossos descendentes. Uma verdadeira ofensa à nossa identidade cultural.
Esse item também, com toda certeza, seria perfeitamente solucionado, se houvesse interesse na busca de recursos para tal tipo de investimento. Pelo que sei, existem sites que orientam a execução desses projetos e a busca de verbas específicas.
Entretanto, enquanto nada acontece, precisamos nos contentar em apresentar aos nossos “turistas” nossas praças em ruínas; calçadas inacessíveis a cadeirantes, deficientes visuais e idosos; prédios mal conservados ou demolidos e, se vierem em dias de chuva, a possibilidade de se banharem nas águas que deságuam de telhados mal projetados, com beirados sobre o passeio, ou em verdadeiras piscinas formadas nas confluências de algumas ruas.
Desculpem o desabafo, mas, vendo tanto descaso com nossa cidade e sentindo que, com muito pouco, poderíamos melhorar esse quadro tão deprimente, só me resta esperar que alguém com poder de mudar se sensibilize e tome alguma atitude. E, se eu puder colaborar de alguma maneira, contem comigo.
Dagoberto Velho
Esta postagem foi publicada em 23 de julho de 2010 e está arquivada em Caixa Postal 59.


