Perfil

Juliano La Grande Cimirro

Juliano La Grande Cimirro, 30 anos, natural de Taquara. Filho de Carmem da Sliva Cimirro e Mário La Grande Cimirro

Juliano La Grande Cimirro, 30 anos, natural de Taquara. Filho de Carmem da Sliva Cimirro e Mário La Grande Cimirro (falecido). Cursa Letras na Faccat e atua como educador no Lar Padilha. Recentemente foi premiado no Concurso Literário Faccat / Jornal Panorama pelo melhor texto de autor residente no Vale do Paranhana.

O que o levou a participar do concurso literário?

Há muito tempo, eu já tinha vontade de participar, mas sempre acabava adiando a idéia e, quando via, o prazo de inscrições tinha terminado. Neste ano, lendo o Jornal Panorama, encontrei o anúncio do concurso e resolvi fazer um texto. Foi o primeiro concurso do gênero de que participei. Acredito que um texto para esse fim precisa agradar a um número muito diferenciado de leitores, não pode ser específico. Isso faz toda a diferença na hora de decidir. Escrevi 30 trabalhos e selecionei oito deles para o concurso. É algo exaustivo, pois o que chega ao leitor é só o resultado final e não a forma como o texto nasce.

O que representou para você ter recebido o prêmio principal?
Significou muito. É o reconhecimento do teu trabalho. É evidente que a premiação em dinheiro foi muito legal, mas não é essa a razão principal. Desde que foi anunciado o resultado no Panorama, todos me cumprimentam. Os conhecidos me ligaram, estranhos me paravam na rua. Me senti quase que como uma celebridade, foi muito importante essa visibilidade que o concurso teve. Com isso, meu texto mais antigo e o mais recente estão publicados no Jornal Panorama. O mais antigo foi quando tinha 11 anos e fiz uma “composição” – como se chamava na época. Meu pai levou para o jornal e foi publicado.

Conte-nos sobre o seu trabalho do Lar Padilha.

Há 10 anos trabalho com crianças que estão em situação de risco social, no cuidado e monitoramento delas. É um trabalho muito gratificante, pelo carinho que as crianças nos dão, e muito penoso, porque todos os dias ouvimos histórias tristes e que se repetem. De certa forma é frustrante, pois o abrigo não é a solução, é apenas algo temporário, paliativo. Antes de atuar no Lar, dei aula de Língua Portuguesa por sete anos na escola Júlio Maurer. Foi um trabalho muito enriquecedor para minha vida e o que mais me proporcionou crescer como ser humano, através de experiências maravilhosas.

Quais são suas impressões de Padilha?

Moro no distrito há 10 anos. Tenho muito orgulho e sou muito apaixonado pelo lugar, é onde me sinto em casa. Acredito que, nos últimos tempos, o interior tem conseguido exercer um papel de destaque no município. Tivemos participações decisivas nas eleições. Antes disso, as fotos enviadas para o Concurso Taquara em Foco foram em grande quantidade tiradas nas nossas diversas paisagens, porque, na verdade, foi no interior do município que Taquara começou. E agora, no Concurso Literário, também recebemos destaque.

Como você se autodefine?
Acho que sou uma pessoa de fácil trato. Não me acho mais especial do que qualquer outro ser humano. Além disso, sou um idealista. Todos os meus amigos já deixaram de ser e hoje vivem de discursos vazios, mas eu ainda acredito que, um dia, todo ser humano será tratado com o respeito e a dignidade que merece.

Cite uma lembrança marcante em sua vida.

A morte do meu pai, há cinco anos, é uma lembrança que me marcou muito. Mas lembro com saudade e não com tristeza. Tínhamos um relacionamento muito bom.

Quais são seus planos para o futuro?

Escrever profissionalmente. Agora, com o resultado do concurso, devo fechar duas publicações em livros em um ano, uma pela Prefeitura (Raízes de Taquara) e outra pelo Lar Padilha (com uma crônica). Para mim, isso será muito bom e muito importante. Queria muito poder viver disso, mas sei que é muito difícil.

Uma mania: falar sozinho o tempo todo.

Deixe uma mensagem aos leitores do jornal: Faço questão de agradecer a todos pelo carinho, pelas mensagens de incentivo. À minha mãe e aos meus amigos que me ajudaram a revisar os textos. Por isso, quero dizer para todas as pessoas que não tenham vergonha de mostrar aquilo que escrevem. Nem tudo será bom, mas isso faz parte do trabalho.

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