Miscelânea
Esta postagem foi publicada em 21 de outubro de 2022 e está arquivada em Miscelânea.

Pimenta, bandeiras e adesivos, por Ana Baldo

Pimenta, bandeiras e adesivos

Recentemente, em Taquara, vivenciamos um fato que, a mim, pareceu absurdo. Creio que pareça absurdo para muitas outras pessoas também. Um fato que demonstra o quanto estamos piorando no quesito humanidade e respeito: Uma idosa lançou spray de pimenta nos olhos de um homem apenas pelo fato de este estar portando uma bandeira de uma candidatura divergente da dela.

Sabemos que vivemos tempos em que a solidariedade anda curta e o desprezo pelo ser humano anda em passos largos. Discursos de ódio contra quem pensa diferente, discursos de ódio contra as minorias, discursos de ódio contra tudo o que não condiz com o que a pessoa acredita. Amizades sendo desfeitas, violências sendo cometidas, extremos a que nunca pensamos que poderíamos chegar.

Adesivos em carros se tornam motivo de agressão. Bandeiras empunhadas se tornam motivo de agressão. Um comentário ou uma postagem divergente se torna motivo de agressão. Pessoas que discutem na internet em defesa de seus candidatos e que acabam no extremo de irem até a casa do suposto ‘inimigo político’ para disparar tiros e instigar brigas. Pessoas que vão ao trabalho de outras pessoas com o intuito de agredir e violentar a liberdade do outro.

Por outro lado, vemos pessoas com medo de se manifestarem, de defenderem seu lado, de vestirem camisetas, de adesivarem seus veículos, de colocarem bandeiras em suas casas. Durante mais de três décadas de democracia nos manifestamos livremente sobre nossas escolhas e agora nos vemos diante de um cenário tão primitivo, eu diria até animalesco, em que as pessoas temem por sua integridade a ponto de esconderem seu lado.

A que ponto chegou o fanatismo? A que ponto chegou o discurso de ódio? A que ponto chegou a ode à violência como resposta? Que tempos são esses em que as pessoas não conseguem dialogar e acabam por resolver tudo de forma extremista e agressiva?

Ou paramos para refletir e reconstruímos nossa sensibilidade e humanidade, ou teremos tempos sombrios pela frente. E aí, meus caros e caras, não será surpresa se os tacapes voltarem a aparecer como solução para os problemas. Não escrevo estas linhas para defender candidaturas, as escrevo na tentativa de recobrar a sanidade dessas pessoas que, instigadas pelo ódio, regrediram ao ponto de acreditar que a violência pode resolver as divergências. Escrevo em nome da democracia, da liberdade e da PAZ!

Por Ana Maria Baldo
Professora, de Taquara
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