
Foto: Cid Martins/RdGaúcha
A Polícia Civil, através da 3ª Delegacia do Departamento de Investigações do Narcotráfico (Denarc), realizou na manhã desta quarta-feira (30) uma operação nos três Estados do sul do Brasil para desarticular uma tele-entrega de drogas que funcionava há 10 anos no Vale do Paranhana, na Região Metropolitana, Litoral Norte e Vale do Rio Pardo. Conforme a investigação, a movimentação financeira ultrapassa os R$ 20 milhões, desde 2017, e o esquema vinha se adaptando às novas tecnologias. Cerca de 50 suspeitos também são investigados por lavar dinheiro em imóveis, carros de luxo, festas, viagens e empresas.
Durante a operação, em torno de 300 policiais cumpriram 364 mandados, sendo 43 de prisão. Além da apreensão judicial de veículos e imóveis, houve bloqueios de contas bancárias e quebra de sigilos fiscais e na bolsa de valores. A operação ocorreu em 13 cidades e atacou um grupo que tinha clientes selecionados, somente pessoas de classe alta ou classe média-alta, atendendo apenas bairros nobres de várias cidades. Até as 8h, 30 suspeitos foram presos.
A Operação Erga Omnes (Significa “Contra Todos”, em latim), ocorreu em 11 cidades gaúchas, inclusive em um condomínio de luxo de Taquara. Além do município do Paranhana, ainda foram cumpridos mandados em Porto Alegre, Eldorado do Sul, Cachoeirinha, Gravataí e Canoas, na Região Metropolitana; Osório, Capão da Canoa e Xangri-lá, no Litoral Norte; Tapes, no Sul; e Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo. Também houve cumprimento de buscas e de mandados de prisão em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, e Cascavel, no Paraná.
Além dos 43 mandados de prisão, sendo quatro preventivas e 39 temporárias, houve a apreensão judicial de nove veículos e de 25 imóveis, inclusive, nos outros dois Estados da região Sul. Houve o bloqueio de 47 contas bancárias, além de 188 quebras de sigilos bancário, fiscal e bursátil, envolvendo a bolsa de valores.
Os 300 policiais civis contaram com o apoio de um helicóptero na Região Metropolitana. A polícia não divulgou os nomes dos presos.
O esquema
Conforme a Polícia Civil, no esquema, havia pessoas especializadas e formadas em áreas como contabilidade, direito e do ramo imobiliário. No entanto, a principal atividade era a venda de drogas, principalmente maconha trazida do Uruguai, cocaína trazida do Peru e drogas sintéticas, até mesmo do princípio ativo do ecstasy.
As vendas eram feitas, inicialmente, pelas redes sociais e basicamente por um perfil com o nome de “beijinho”. Depois disso, quando os clientes pré-selecionados já eram considerados como de um grupo “fidelizado”, eles mantinham contatos pelo WhatsApp. Os pagamentos eram feitos via Pix, mais recentemente, mas anteriormente através de máquinas de cartões de crédito. Durante a investigação, o Denarc apreendeu várias drogas comercializadas pelos criminosos.


