Polícia

Defesa do acusado de tentar matar ex-servidora da Câmara de Taquara renuncia e júri é novamente adiado

Previsão é de que o novo júri possa ser agendado em fevereiro
Foto: Alan Junior/Rádio Taquara

Agendado para ocorrer na manhã desta sexta-feira (16), o júri de José Antônio Sartori, de 64 anos, acusado de tentar matar a ex-companheira, Marilene Wagner Sartori, de 63 anos, em agosto de 2019, foi novamente adiado. A decisão do juiz ocorreu após uma renúncia do advogado de Sartori, que acabou ficando sem defesa na hora de iniciar o julgamento.

À época do crime, Sartori e Marilene estavam divorciados, mas ele propôs uma reconciliação. Os dois jantaram juntos naquele dia e, no caminho de volta para casa, Sartori parou o carro nas proximidades da ponte do Rio dos Sinos, na ERS-020, alegando algum problema mecânico. No entanto, ele desceu do veículo, colocou luvas, pegou a arma e deu tiros contra o vidro da janela do caroneiro, onde estava Marilene.

O homem voltou ao carro e dirigiu no sentido de Igrejinha. Marilene chegou a fingir a própria morte para que o ex-companheiro levasse ela até o Hospital de Taquara. Na casa de saúde, o réu disse que os tiros teriam sido feitos por assaltantes. Contudo, Marilene, lúcida, conseguiu contar a verdade aos policiais acionados pela equipe do hospital. Sartori foi preso no hospital e autuado em flagrante na delegacia do município.

Além da forma como tudo ocorreu, o crime também chocou a comunidade de Taquara em razão do fato de que Marilene trabalhou por muitos anos na Câmara de Vereadores do Município, como funcionária concursada do Legislativo. Na época do crime ela já havia se aposentado, mas continuava nos trabalhos legislativos, como diretora, em cargo comissionado. A presidência era ocupada, naquele ano, pela atual prefeita de Taquara, Sirlei Silveira.

De acordo com Rodrigo Batista, advogado criminalista de Sapiranga, que acompanha o caso desde o início e estava no local para acompanhar o júri, a banca que fazia a defesa do réu, até então, renunciou na quinta-feira (15), às vésperas do julgamento, e uma nova defesa foi constituída. Como a defesa teve menos de 24 horas para analisar todo o caso, que envolve testemunhas, vítima e o próprio réu, a banca abandonou o plenário, resultando em novo adiamento.

“O que consta é que não foi concedido o adiamento ontem e a defesa fez o que lhe cabia para que o réu não ficasse indefeso, e abandonou o plenário. Agora, os movimentos processuais vão seguir, será designada uma nova data para o júri, que acredita-se ainda seguir no início do próximo ano”, explica Dr. Rodrigo.

Em entrevista à Rádio Taquara FM 105.9, logo após o anúncio do juiz, a filha de Marilene, Cassiane Leonor Sartori, se emocionou ao relatar seu sentimento de indignação pelo novo adiamento do júri.

“O nosso sentimento, enquanto família, é de indignação mesmo. […] Eu até questionei e disse para a promotora e para o juiz, o poder público fica pagando por tudo isso, por toda essa palhaçada que eles montam, esse circo. […] A gente colhe o que a gente planta e se ele [José Antônio Sartori] plantou tudo que ele plantou, um dia vai colher. E esse dia está bem próximo”, falou Cassiane.

Segundo a filha de Marilene, a previsão é de que o novo júri possa ser agendado em fevereiro.