Do “Meu livro de citações”:
Deus ajuda quem cedo seu Madruga.
PROFESSORES
Uma das falas mais recorrentes entre os membros do magistério é “eu não sou professor disto”, “eu não sou professor daquilo”. Eis aí uma declaração a ser levada em muita consideração, já que existem os cursos específicos para formação de gente especializada numa e noutra disciplina. Afinal, se uma pessoa estuda para lecionar, digamos, Química, é justo supor, nela, conhecimentos maiores na área para a qual estudou. Numa sala de aula, claro, esse é um fator de suprema importância. E é, até, um fator psicológico. Os alunos precisam ter confiança no seu professor e, compreensivelmente, muito dessa confiança se baseia na certeza do seu domínio sobre o assunto.
Dentre as disciplinas escolares, a mais “ignorada” pelos mestres é a Língua Portuguesa. É muito comum ouvir em qualquer estágio do ensino: “eu não sou professor de Português”. Quando escrevo “qualquer estágio” estou me referindo, principalmente, ao nível superior, o que torna a coisa mais crítica (mas sem descartar, de maneira alguma, os outros estágios). Fica assaz interessante escutar um professor, numa universidade, geralmente mestre ou doutor, declarar não saber escrever na língua pátria, mesmo que, para chegar àquele nível tenha passado por vários trabalhos escritos… em português. Como terão vencido as barreiras? É fácil imaginar: seus professores também não sabiam e não lhes deram um paradeiro! É uma cadeia sem fim. Tenho corrigido muitos trabalhos de conclusão de graduação e lido textos bem mal ajambrados! Qual será a responsabilidade dos orientadores?, permitindo verdadeiras catástrofes redacionais, e perdendo, talvez, uma última chance de fazer seus tutelados se darem conta de sua alfabetização!
Pergunto-me como pode um professor declarar em alto e bom som que ignora determinada especialidade, na tentativa de justificar alguma falta de conhecimentos mais profundos sobre um assunto diante de seus alunos – falta muito justificada, aliás, pois ninguém é obrigado a conhecer tudo – e ao mesmo tempo exigir dos mesmos alunos uma gama de bem variados saberes. A lógica diz que, se o aluno precisa demonstrar tantos conhecimentos para terminar um curso, isso significa que o próprio professor passou pelos mesmos cursos e deve ter condições para manter a conversação. Um professor é, antes de tudo, um guia e, pelo menos, alguma luz deve trazer aos seus pupilos. Isto se chama cultura geral e é muito bom para o ensino. Porém exige interesse e muito gosto pelo ofício.
Eram estas as minhas palavras de hoje. A propósito, eu não sou professor de Português (nem de Matemática, nem de Química, nem de Física, nem de Filosofia, nem de…). Eu sou professor.


