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Três Coroas cancela rafting no Rio Paranhana e estuda decretar situação de emergência em razão da estiagem

A prefeitura informou que está realizando campanhas nas redes sociais para o uso consciente da água.

A Prefeitura de Três Coroas está preocupada com o nível dos rios e barragens do município e, também, com a falta de uma chuva expressiva para a região. Diante das atuais circunstâncias, o Executivo Municipal e a Defesa Civil de Três Coroas optaram por estudar a possibilidade de expedir um Decreto de Situação de Emergência – em razão da falta d’água – e cancelar as atividades esportivas no Rio Paranhana, como a descida de rafting, até que os níveis de água voltem ao normal.

Fotos: Divulgação/Teriana Selbach

O prefeito de Três Coroas, Alcindo de Azevedo, e o coordenador Municipal de Proteção e Defesa Civil, Augusto Dreher, têm buscado laudos de possíveis prejuízos causados pela estiagem, para analisar se a situação de emergência municipal poderá ser decretada. “O prefeito está pensando positivo em decretar. Nesta semana, teremos uma reunião com a Defesa Civil Estadual para avaliarmos juntos o que apuramos até o momento”, diz Dreher.

Conforme o coordenador da Defesa Civil municipal, a captação de água para consumo ainda está dentro do normal na zona urbana. “Segundo me informou o diretor da Corsan de Três Coroas, não há previsão para um programa de racionamento, mas estamos fazendo campanhas nas redes sociais para o uso consciente da água”, explica. (Confira abaixo os vídeos da campanha)

Estiagem na zona rural

De acordo com Augusto Dreher, a maior demanda no momento é na zona rural, onde há possibilidade de falta de água. Segundo ele, a Defesa Civil e a Associação dos Bombeiros Voluntários (ABV), de Três Coroas, estão fazendo o abastecimento de água para as localidades do interior, tanto para consumo humano, quanto animal, com caminhão com tanque inox e mais um caminhão com uma pipa, com capacidade para 6 mil litros de água. “Estão sendo abastecidas, mais ou menos, 30 propriedades já tendo sido oferecido aproximadamente 800 mil litros de água em dois meses”, destaca.

Água do Rio Paranhana

Em relação ao Rio Paranhana (que recebe diariamente centenas de visitantes e praticantes de esportes, como o rafting, canoagem, dentre outros), Dreher disse que 70% do abastecimento vem da Barragem do Salto, em São Francisco de Paula, que destina água por tubulação, para geração de energia na Usina de Canastra e Bugres.

Segundo o coordenador da Defesa Civil, a CEEE Geração está gerando menos energia, pois a barragem do Salto precisa dividir a água para o Vale do Paranhana e o Vale do Caí.

“Com isso, reduzir o nível do rio para mais ou menos 4 metros por segundo de água, impossibilita a prática do rafting. Por isso, o rafting está cancelado até segunda ordem, quando os reservatórios estiverem em níveis melhores para gerar energia e consequentemente a prática do esporte no Rio Paranhana”, finaliza Dreher.

Parques de aventura também sofrem com falta de água

Proprietários de parques de aventura, que ficam próximos ao Rio Paranhana e necessitam de uma boa vazão para a realização de esportes, têm sofrido com a situação de estiagem. Conforme a empresária Teriana Selbach, proprietária do Raft Adventure Park, a situação é muito triste, pois a prática esportiva é uma das preferidas pelos visitantes e usuários das águas do Paranhana. “Estamos sem água no rio, e isso é muito triste, pois o pessoal acaba vindo muito por causa do rafting, mesmo a gente tendo tantas outras atividades”, destaca Teriana.

Segundo a empresária, o rafting só é possível nas águas do Rio Paranhana, devido ao Sistema Salto, que engloba a Barragem do Blang e do Salto (ambas em São Francisco de Paula), e a Barragem das Laranjeiras (Três Coroas). Se as barragens não receberem água suficiente para gerar energia, o rio fica com o nível muito baixo, o que acaba também impossibilitando a prática da atividade.

Teriana diz que em dias ‘normais’ de vazão da água, a geração de energia na barragem é de 27 MW (Megawatts), o que contabiliza uma media de 60 centímetros de água escoando pelo rio, o necessário para navegação com rafting. Porém, atualmente a geração tem sido de apenas 5 MW, o que equivale à 25cm, de acordo com a régua de medição.

A empresária destaca o bom relacionamento com os responsáveis pela barragem, pois isso evita que os visitantes se desloquem ao parque em vão. “Como temos uma boa relação com o pessoal responsável pela barragem, eles nos avisam sobre a baixa vazão de água no rio, o que nos dá a possibilidade de avisar nossos clientes, para que eles não venham até o parque e acabem não conseguindo realizar a descida de rafting”.

Campanha da Prefeitura de Três Coroas para o uso consciente da água