Uma divergência política entre o atual prefeito de Parobé, Diego Picucha (PDT), e o vice-prefeito Alex Bora (PL) provocou controvérsia pública e até registro policial nesta semana. O fato envolve, também, o vereador Maicon Bora (PL), que é irmão do vice-prefeito. A Polícia Civil confirmou que vai investigar um registro de ocorrência feito pelo vereador relatando suposta ameaça que teria recebido do prefeito na noite de terça-feira (21).
O vereador Maicon disse nesta quinta-feira (23), em entrevista à Rádio Taquara FM 105.9, que o seu irmão Alex teve divergências políticas com o prefeito em função de não apoiar, no pleito do ano passado, o candidato a deputado que foi apoiado por Picucha. Além disso, segundo o vereador, Alex Bora teria sugerido diversas vezes ao plano de governo e adotado como uma de suas bandeiras um programa de transporte coletivo gratuito, o que acabou sendo lançado pelo prefeito sem mencionar que o vice seria um dos responsáveis pela ideia.
Maicon Bora contou que, no ano passado, em um determinado dia, o vice chegou à Prefeitura, mas acabou sendo expulso por Picucha do prédio da administração, e que o prefeito retirou até mesmo o gabinete de Alex Bora. O vereador afirma que, na Câmara, tem por conduta elogiar aquilo que entende como correto da administração municipal, mas também criticar o que não concorda. E o fato dessa semana, a suposta ameaça, segundo o parlamentar, teria relação com mais uma das denúncias.
De acordo com Maicon, estaria ocorrendo suposto mau uso do carro oficial do prefeito, um Volkswagen Virtus. O parlamentar relata que, na sua campanha para a presidência da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Picucha estaria viajando pelo estado, e diversas multas teriam sido contraídas nessas viagens.
Na ocorrência registrada junto à Polícia Civil, Maicon Bora afirma que, na terça-feira, teve uma audiência no Fórum de Parobé, devido a um processo movido por Picucha contra ele. Segundo o vereador, a ação foi feita pelo prefeito por conta de denúncias que ele fez de pressão sobre servidores públicos que teria sido feita pelo chefe do Executivo para apoiar o seu candidato a deputado no pleito do ano passado.
Maicon afirmou à polícia que, na terça-feira, ao sair da sessão da Câmara, após as críticas sobre o suposto mau uso do carro oficial, foi abordado pelo prefeito, que estava em seu carro, um jipe. De acordo com o relato, Picucha teria ficado acelerando e gritou “quer mais um processo Bora? Quer mais um?”.
Depois, segundo o relato do vereador, o prefeito deu a ré e perguntou a um assessor do parlamentar: “Quer tomar também?”. E, segundo o vereador, o prefeito teria ameaçado pegar um objeto no carro, como se fosse uma arma. O vereador diz que servidoras da Câmara visualizaram o fato. Na entrevista à Rádio Taquara, o vereador disse que não viu arma com o prefeito, mas diz ter conhecimento de que Picucha teria porte de arma.
O vereador disse que levaria o fato ao conhecimento do Ministério Público e que, também, peticionou junto ao processo judicial movido contra ele por Picucha dando conhecimento dos fatos ao juiz responsável pela ação. Maicon Bora disse que, no momento, se sente inseguro em Parobé, devido às ameaças, mas que não deixará de cumprir suas obrigações e continuará a exercer seu trabalho na Câmara.
O que diz a Prefeitura
Em nota divulgada pela assessoria de imprensa da Prefeitura de Parobé, Diego Picucha afirmou que estava focado na eleição da Famurs e que não “cederá a qualquer manobra que seja promovida na tentativa de desestabilizar ele ou sua equipe de trabalho”. A nota diz ainda “que o prefeito Picucha não teve acesso a nenhuma imagem e não vê problema algum em se posicionar sobre qualquer fato ocorrido na Prefeitura, desde que os questionamentos sejam feitos de forma clara, direta e sempre à luz da verdade”.


