Uma facção que atua em diversas regiões do Rio Grande do Sul, está sendo investigada pela Polícia Civil e Polícia Federal (PF). Os criminosos estariam agindo com uma prática que não é nova, mas que se intensificou nos últimos anos, que consiste em realizar ameaças e extorsões a empresários e comerciantes, cobrando valores por um serviço ilegal de vigilância privada.

Na região do Vale do Paranhana, há relatos desse tipo de ameaça e extorsão nos seis municípios. O titular da Delegacia de Polícia Civil de Taquara, delegado Valeriano Garcia Neto, que apura os casos na região, conta que os integrantes da facção fazem imagens dos estabelecimentos e mandam mensagens, exibindo ainda armas e exigindo repasse de valores.
Em um áudio, divulgado pela Polícia Civil de Taquara, pode-se ter uma noção de como esses criminosos atuam, através de ameaças a quem não concorda em “fechar com a facção”:
Na região, oito criminosos foram presos, o mais recente na semana passada. Todos estão envolvidos nas extorsões e ameaças a pelo menos quatro vítimas que registraram ocorrência desde o ano passado. Duas delas tiveram revendas de veículos depredadas neste mês.
Em Taquara, em dezembro do ano passado, seis integrantes de facção foram condenados a 61 anos de prisão pela mesma prática criminosa entre os anos de 2019 e 2021. Em um desses casos, o dono de uma revenda teve a loja atingida por diversos tiros de fuzil há cerca de um ano e meio.
Vale do Sinos
Já no Vale do Sinos, até a semana passada havia 32 vítimas identificadas, porém, o número saltou para 74. A polícia afirma que o problema é que a maioria das pessoas não registra ocorrência, principalmente depois de ter imóveis depredados, queimados ou metralhados. Na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo, que realiza investigações sobre estes casos na região do Vale do Sinos, havia apenas dois casos contabilizados oficialmente.

Um empresário, que não será identificado, afirma que o medo é grande, pois os criminosos passaram a lhe ameaçar durante a manhã e à tarde. Segundo ele, os comerciantes têm medo de falar ou de denunciar porque os criminosos vão nas empresas e comércio e quebram vitrines, tocam fogo, dão tiros e mandam mensagem. Uma das mensagens recebidas pelo comerciante, questiona: “Vai pagar? Vai fechar com a facção ou vai querer que a gente faça o mesmo com vocês?”.
O homem diz ainda que os ameaçados não conseguem nem dormir direito. Temem por suas vidas e de seus familiares. A cada amanhecer, precisam conferir se o seus negócios não foram alvo de ataque. O empresário afirma que não há outra alternativa, a não ser confiar que a polícia conseguirá resolver a situação. “Faço um apelo para parar com essa extorsão: denunciem, por favor”, diz o empresário.
Polícia Civil (DRACO)
O delegado Ayrton Figueiredo Martins Júnior, titular da Draco de São Leopoldo, diz que está buscando a identificação das vítimas, que já ouviu mais de 20 pessoas nesta semana. Ele afirma que a conversa com os comerciantes é essencial para entender mais detalhes das ameaças e garantir maior registro de ocorrências.
No Vale do Sinos, a polícia já tem seis suspeitos identificados, sendo que um deles foi preso em uma ação realizada no dia 24 deste mês. O detido é apontado como líder do grupo que agia na região para a facção. Até agora, o delegado Martins Júnior tem informação de casos, principalmente, em Estância Velha, Campo Bom e Novo Hamburgo.
Denúncias
A Polícia Civil pede para que as vítimas entrem em contato e façam a denúncia, pois somente desta maneira os policiais conseguirão informações suficientes para elucidar os casos e desbaratar a quadrilha. As denúncias têm a garantia da polícia sobre seu anonimato. Em Taquara, as vítimas podem acionar a polícia pelo telefone (51) 98443 3481. No Vale do Sinos, o telefone disponibilizado pela Draco de São Leopoldo é o (51) 98585 6118.
Fonte: GZH


