Do “Meu livro de citações” – “Me não saco o encham!”. O que seria da comunicação sem a sintaxe?
SOU UM CHORÃO
Este espaço que mantenho aqui tem sido quase um confessionário para mim. Mais, ainda, tem sido um divã de analista. Faço análise sem gastar nada e me divirto muito. Como já publiquei em algum lugar – foi no Twitter, acho – melhor do que ler o que os outros escrevem, é escrever para os outros lerem. Por isso, cada crônica é uma catarse. Já confessei quantos segredos meus que, espero, ninguém tenha espalhado por aí. Se é segredo, vamos manter como.
Pois, hoje, tenho mais uma confissão a fazer, mas, olhem lá, continua segredo. Abro meu coração para os meus amigos – vocês –amadíssimos. Não consigo manter os olhos secos quando vejo qualquer situação de sofrimento alheio. Não, não sou bonzinho nem quero dar esta impressão. Não tenho pretensão de comover o “patrão velho lá de riba”, segundo as palavras de um velho gaúcho num programa radiofônico das minhas lembranças infantis. Talvez seja uma falha de caráter, uma fraqueza, sei lá!
Embora, declaradamente, eu não seja fã da televisão, por ela me chegam as situações mais lacrimosas, nas raras olhadas para a famosa “telinha”. Sei, esse veículo de comunicação é o templo da água com açúcar, explorado até as últimas consequências. Assim mesmo, eu choro. Depois do terremoto do Haiti, por exemplo, quando retiraram aquele menininho de sob os escombros e ele surgiu sorrindo, qual poderia ser a atitude mais decente de um cidadão? Derreter-se, é óbvio; e eu me derreti.
Porém, nas minhas lágrimas não existe nada daquelas bobagens tão adocicadas do tipo “perdoar é divino”, “somos todos irmãos” ou “vamos pegar juntos”, blá, blá (e bota blá nisso) que fazem a alegria das telenovelas. A pieguice, explorada comercialmente pela publicidade, não me comove.
Pessoas com problemas existem aos magotes. Se em cada lamento ouvido fôssemos depositar total atenção, nada mais faríamos na vida. Todos nos queixamos e, todos, temos dores superlativas. Essas apenas identificam a nossa frágil existência. Meu choro é de outra vertente. Vem da coragem daqueles que, teoricamente, não teriam condições de ter convívio social porque são diferentes. Vem da alegria demonstrada por eles ao receber suas oportunidades.
Constatei isso nesta semana, quando participei do II Fórum de Educação Inclusiva de Parobé e assisti, entremeando os debates, aos alunos da rede municipal de ensino apresentando-se no palco do plenário. Meus colegas que trabalham com os alunos especiais estão de parabéns. Fazem um belo serviço. Ver aquela turma cantando, dançando, gesticulando, foi emocionante. Chorei.


