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Esta postagem foi publicada em 10 de setembro de 2010 e está arquivada em Colunas, Penso, logo insisto.

Quem manda

Do “meu livro de citações” – Se há coisas BEM-VINDAS, não deveria haver as BEM-IDAS?
QUEM MANDA

Estamos num período sensível da vida nacional. Nossas paixões futebolísticas, embora continuem bem presentes em nossos corações e pensamentos, estão sendo suplantadas, momentaneamente, pelas paixões eleitorais. A rainha tenta determinar a quem devemos conceder o louro da vitória. Qual rainha? A televisão, é claro. Ou vocês não tinham notado essa realeza? A televisão é quase uma Roma imperial que, uma vez “locuta”, “causa finita”.
Estão pensando que vou falar de eleições? Enganam-se. Não! Quero tratar de algo maior, mais profundo. Quero falar de penetração. A penetração mais funda possível em termos de nosso corpo: aquela que perpassa nossas ideias. E aí, é evidente, ficam englobados a eleição e o time de nossa preferência.
Li, num jornal, anteontem pela manhã, que um supermercado vai hastear a bandeira do Rio Grande do Sul no Parque da Harmonia, em Porto Alegre, por ocasião das festividades da Semana Farroupilha. Ele é o patrocinador do evento. Puxa!, esta eu não imaginava: até as atividades cívicas podem ter o dedo da livre iniciativa. Sabia, sim, de presenças comerciais em outras searas, como no próprio futebol, já mencionado acima. Ou a Copa do Mundo não foi uma grande guerra entre marcas esportivas? Mas este, agora, foi um lance digno de um campeão mundial de xadrez. Isto prova que as Relações Públicas são um investimento importante das empresas.
Nós ficamos brigando por cores e ideias, imaginando que elas estão nas paradas, mas, dá pra notar, a verdade é bem outra. Importante mesmo é o poder plutocrático. Não estou reclamando. O dinheiro, quando usado bem, só faz o bem. A demonização do dinheiro é trabalho invejoso de quem julga não ter acesso a ele ou de alguns egoístas, tentando ficar com mais do que já tem. Um sujeito consegue muito bem ser podre de rico e, ainda assim, fazer um excelente trabalho social. Perguntem ao Bill Gates.
Pensemos bem, gaúchos de todas as querências. Poderemos cultuar nossas mais caras tradições tranquilamente! Diz a notícia, não faltarão mate para os apreciadores nem brinquedos pros nossos piás. As comemorações de nossas lutas por liberdade e autodeterminação transcorrerão, lá em Porto Alegre, sob as asas desse grande bolicho, aliás, norte-americano.
Sem problema! Nós, brasileiros, já engolimos a maior cervejaria deles e, agora, estamos pondo os dentes na sua segunda maior rede de “fast food”. Daqui a algum tempo – quem sabe? – estaremos presentes no patrocínio do 4 de julho. Os tiros e explosões desta guerra resumem-se ao delicioso ronronar das impressoras despejando os extratos bancários. Com isto, a gente já sabe quem manda. Melhor assim, né? E nós sempre teremos o direito de comprar na loja do outro lado da rua.
Aí, sim, reside a liberdade.

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