Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 1 de outubro de 2010 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Boa noite, Taquara!

Ao que parece, há interessados em transformar Taquara em uma “cidade-dormitório”, para não dizer “fantasma”. Talvez convenha aos que já deveriam ter se mudado para um sítio isolado ou pensam que o centro da cidade compara-se à antiga “Colônia do Mundo Novo”, quando pela rua Júlio de Castilhos só passavam carroças e pedestres.
Minha constatação se baseia em protestos e abaixo-assinados que surgem de tempos em tempos sempre que alguém tenta abrir um estabelecimento noturno no centro da cidade ou imediações, investe em algum evento em um clube social ou tenta promover o que quer que seja. Basta anunciar que haverá uma festa ou que abriu um bar que já se manifestam os de sempre, contrários, seja lá com o que for que possa perturbar seu sono eterno na “cidade-dormitório”.
Dia desses, ouvi de algumas pessoas reclamações contra um estabelecimento recém-instalado na cidade, protestando contra o cheiro de gordura, contra os carros que estacionavam, contra as conversas na rua, etc, etc. O local permanece aberto sob algumas condições impostas para seu funcionamento. Até aí, tudo bem. Agora, mal abriu outro bar na rua principal, e lá vêm eles reclamando novamente nem se sabe do quê, porque nem deu tempo ainda de alguém fazer “barulho” por lá.
Há algo de errado no reino encantado de Taquara. Ao mesmo tempo em que a maioria alega não ter o que fazer por aqui, e muitos vivem gastando e se divertindo em outras cidades da região, há os que gritam ao primeiro sinal de fumaça feito por gente que está a fim de empreender no município. Haja paciência!
Sinceramente, não há lógica e nem bom senso. Se isso aqui é uma cidade, forma-se uma comunidade e, consequentemente, uma comunidade é feita por pessoas de todas as idades que querem se divertir, ter um bom restaurante para jantar e até encontrar um bar aberto tarde da noite para ouvir boa música com os amigos. Nada de anormal nisso, por favor!
Mas me parece que Taquara não só dorme cedo, como dorme no ponto. Se não é permitido abrir um bar ou qualquer local para entretenimento e lazer, melhor fechar a cidade ou impor uma lei determinando: “Cidade-dormitório. Proibido abrir qualquer estabelecimento onde haja aglomeração de pessoas, música, estacionamento de carros, vozes, respiração alterada, namoro, fumaça, cheiro de comida, etc, etc”. Em resumo, é proibido viver, entenderam?
Exceções à parte (entram aqui os casos de abuso, obviamente, que devem ser punidos dentro da lei), o resto é papo furado de quem não sabe viver em comunidade e não sabe aceitar as diferenças, a ousadia, a alegria e o sucesso alheios. A esses, meus votos de boa viagem, antes que sejamos forçados a viver e empreender em outro lugar.
Roseli Santos
– Jornalista –

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