Um suposto caso de negligência médica envolvendo atendimento no Hospital São Francisco de Assis, de Parobé, foi comunicado à Polícia Civil e será investigado. O fato, segundo a ocorrência, aconteceu na madrugada do último dia 8 de abril e envolve uma criança de menos de dois meses. A família reside em Taquara, no bairro Empresa, e está em busca de justiça pelo acontecimento.
A professora Bruna Gabriele Pinheiro, 27 anos, diz que seu filho teve os primeiros sintomas respiratórios ainda durante a manhã do dia 7. Ela, então, contou que levou até o Posto 24 Horas de Taquara, onde recebeu atendimento pediátrico com médico responsável, o qual atestou que a situação não era de emergência, receitou medicamentos e orientou que, em qualquer sinal de piora do quadro, o bebê fosse levado até o Hospital de Parobé, por ter melhores condições de atendimento e levando em conta, também, que o nascimento ocorreu de forma prematura.
Na madrugada do dia 8, a professora conta que a condição do bebê piorou e, então, levou a criança até o hospital parobeense, onde chegou próximo das três horas. Segundo o registro feito na Polícia Civil, a mãe diz que no local o bebê foi atendido por um médico clínico que estava de plantão. O profissional teria dito à mãe que, no momento do exame, a saturação estaria normal. A professora relatou que insistiu, dizendo que seu filho estava com muita dificuldade para respirar, mas o médico teria afirmado que colocaria a criança no oxigênio para “acalmar” a mãe, no entanto, daria alta para a criança.
Segundo o relato, após as 7 horas da manhã, entrou outro médico que foi atender o bebê, o qual falou que o profissional anterior teria deixado a alta pronta. Contudo, quando foi examinar a criança para liberá-la, o mesmo confirmou que o bebê estava em grande esforço respiratório, já em estado de emergência e que ficou muito tempo sem oxigênio em nível adequado.
Neste momento, segundo a mãe, o bebê foi levado para a sala vermelha, recebendo oxigênio e antibiótico. O bebê ainda ficou 24 horas no hospital de Parobé, mas, devido ao seu estado, acabou sendo transferido para a casa de saúde de Venâncio Aires. Contudo, no novo hospital, após um dia de internação, a criança sofreu paradas cardiorrespiratórias e, no segundo dia, sofreu uma convulsão seguida de parada cardíaca, vindo a falecer. Segundo a mãe da criança, os médicos de Venâncio informaram que a criança ficou muito tempo sem receber a oxigenação adequada.
Conforme o relato da mãe à polícia, os profissionais de saúde informaram que a criança sofreu uma bronquiolite que evoluiu para pneumonia. Ainda muito abalada pela perda do seu filho, a professora Bruna quer justiça pelo fato. Ela diz que já conversou com a direção do hospital de Parobé, que teria informado que, se fosse de sua vontade, iria dar andamento, mas não teve retorno se algo foi feito. Disse que recebeu a oferta de apoio psicológico. A mãe da criança disse que levará o caso ao Judiciário para que os envolvidos sejam responsabilizados. “Só quero justiça pela morte do meu bebê”, desabafou.
Contraponto
A reportagem procurou a assessoria de imprensa do Hospital São Francisco de Assis a respeito deste fato. A casa de saúde emitiu a seguinte nota, na íntegra: “A mãe do paciente em questão esteve ontem (17) conversando com a direção técnica do HSFA, que prestou todos os esclarecimentos à família e permanece à disposição para o que for necessário, inclusive já tendo encaminhado assistência psicológica. A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) não permite que divulguemos informações acerca do paciente e do atendimento”.


