Embora, de certa forma, seja voz corrente que a mídia tem que ser neutra (isso não quer dizer imparcial), eu acho que a mídia deve se posicionar, isto é, mostrar claramente se é de esquerda ou de direita. Nas eleições, dizer se é a favor de um candidato.
Eu sei que podem dizer que não existe esquerda ou direita. Mas isso é falácia. Ou somos a favor de propostas sociais, ou nos aliamos aos que defendem o Estado mínimo e as privatizações.
Precisamos ter jornais, rádios e emissoras de televisão que digam aos seus leitores, ouvintes e telespectadores, de forma clara e direta, que propostas, ou na falta delas (o que geralmente acontece), que candidato eles preferem, sob pena de enganarem seu público, deliberadamente ou não.
Por exemplo: não é crível que a revista de maior circulação no País acolha entre seus colunistas um que, sistematicamente, apresenta matérias (muitas vezes ofensivas) contra o atual presidente. Será que, mesmo que ele considere nosso presidente muito ruim, não há qualquer mérito, por mais ínfimo que seja, em seu governo?
Também não é plausível que um dos maiores jornais do País (assim como acontece com a revista de que falo no parágrafo anterior) simplesmente desrespeite as mais elementares normas do bom jornalismo – verificar com acurácia suas fontes, ouvir as partes, publicar ipsis verbis o que o entrevistado disse –, publicando qualquer notícia que possa denegrir e, muitas vezes, destruir a imagem de um ente público ou privado que não é de sua preferência. Melhor fez um jornal paulista que, em recente editorial, declarou seu apoio a um candidato.
O maior jornal gaúcho, embora publique artigos assinados por articulistas das mais variadas correntes políticas, estampa, quase semanalmente, artigos assinados por ex-senador que ataca insistentemente nosso presidente. Em seus artigos, bastante adjetivados, talvez por não serem seus substantivos, digamos, “muito substantivos”, ele jamais emitiu uma palavra sequer em favor do mandatário criticado. Quando criticou asperamente o presidente no caso da “marolinha”, não teve a dignidade de dizer que estava errado e que foi realmente uma marolinha conforme a previsão oficial.
Se todos os meios de comunicação deixassem claras as suas posições políticas, nós teríamos maiores condições de avaliar suas matérias. Poderíamos saber efetivamente quem é quem na mídia brasileira. Além disso, ficaria muito mais fácil aos seus redatores escreverem de forma a não contrariar a linha editorial de sua empresa.
Tudo isso, em suma, contribuiria, sem dúvida, para um voto mais qualificado dos eleitores.
Carlos Roberto Hahn
– Revisor de textos –
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Esta postagem foi publicada em 29 de outubro de 2010 e está arquivada em Caixa Postal 59.


