Geral

Serviço Geológico do Brasil publica relatório que apresenta ‘riscos geológicos remanescentes’ em Rolante após chuvas intensas

As localidades de Alto Mascarada, Linha Rio Verde, Morro Garcia, Morro da Figueira, Morro Grande e Boa Esperança sofreram estragos por inundação e deslizamentos de terra
Foto: SGB/Divulgação

O município gaúcho de Rolante apresenta riscos geológicos remanescentes, em decorrência das chuvas intensas que começaram em maio. É o que indica o Serviço Geológico do Brasil (SGB) em relatórios de avaliações geotécnicas pós-desastres. Nos documentos, o SGB recomenda a evacuação das áreas de risco, nos casos de chuvas intensas. (Confira o laudo completo abaixo)

No município do Vale do Paranhana, o trabalho ocorreu em sete pontos críticos, que sofreram deslizamentos, queda de bloco, rastejo, erosão de margem fluvial e inundação. As áreas analisadas pelo SGB foram indicadas pela Defesa Civil municipal durante os trabalhos de campo que ocorreram entre 5 e 10 de junho.

Locais atingidos

De acordo com o relatório, divulgado nesta segunda-feira (1º/07), as altas precipitações ocorridas no Vale do Rio dos Sinos elevaram o nível e a energia do Rio Rolante de tal forma que acelerou o processo erosivo de margem, colocando em risco diversas casas próximas ao rio. A região atingida pela erosão de margem fluvial e inundação foi verificada na localidade de Alto Mascarada, onde a Defesa Civil afirma que a área está sendo evacuada e algumas residências estão sendo demolidas.

Conforme o relatório do SGB, as localidades de Linha Rio Verde, Morro Garcia, Morro da Figueira, Morro Grande e Boa Esperança sofreram estragos ocasionados por deslizamentos de terra. Na Linha Rio verde, por exemplo, os pesquisadores apontam pontos de “deslizamento planar em encosta íngreme, […] contendo blocos arredondados de arenito, que atingiram totalmente uma casa”. Segundo relatos de moradores, houve indícios de movimentação, que os alertaram a abandonar o local.

Já na Estrada Geral Boa Esperança, o local apresenta vários pontos com trincas e degraus, segundo o SGB. A área é ocupada por vinícolas, sítios e casas de alto padrão, com atrativos ao turismo. Algumas destas trincas estão próximas a moradias e empreendimentos, sob o risco de perdas materiais e humanas. A estrada é estreita, permitindo praticamente a passagem de um veículo por vez, podendo, portanto, ser facilmente interrompida com o avanço da movimentação.

Adoção de medidas para a segurança

A divulgação dos estudos dá continuidade ao trabalho de apoio às cidades do Rio Grande do Sul afetadas por inundações e outros processos geológicos, como deslizamentos de terra. Ao todo, neste mês, o SGB divulgou as avaliações de 10 municípios.

“Por meio desse estudo em áreas afetadas, analisamos os processos geológicos que ocorreram – como deslizamentos de terra e queda de blocos – e indicamos quais riscos geológicos ainda existem, além de sugerirmos ações de resposta e prevenção a desastres”, explica o chefe do Departamento de Gestão Territorial, Diogo Rodrigues.

O pesquisador complementa que “a avaliação é uma ferramenta técnica importante para a adoção de medidas que garantam a segurança das comunidades”.


Chuvas desencadearam processos geológicos

As áreas analisadas pelo SGB foram indicadas pelas defesas civis municipais durante os trabalhos de campo que ocorreram entre 5 e 10 de junho. Em Teutônia, foram visitados três pontos críticos, que passaram por processo de rastejo de solo e deslizamento de terra em encostas íngremes, na área rural.

No município de Roca Sales, foram analisados quatro pontos críticos, que sofreram rastejos, deslizamentos de terra e corridas de lama/detritos. Já em Rolante, o trabalho ocorreu em sete pontos críticos, que sofreram deslizamentos, queda de bloco, rastejo, erosão de margem fluvial e inundação.

Nos relatórios, o SGB alerta para a dificuldade em prever a evolução dos processos e sugere, além da evacuação das áreas de risco, o monitoramento diário das encostas e o desenvolvimento de sistemas de alerta de chuvas intensas. Outra sugestão é a criação de políticas públicas para reduzir as ocupações das áreas vistoriadas, com o intuito de evitar a geração de novas áreas de risco.

Os trabalhos foram realizados pelos pesquisadores em geociências do SGB: Lenilson José Souza de Queiroz e Marlon Hoelzel.

Relatório completo de Rolante